quinta-feira, 23 de junho de 2016

R.E.D.

Tremor agarrado a alma; Doí.
Enquanto o dia passa, o próprio oxigênio me ignora.
Passa direto e não me deixa absorver um pouco de vida.
As feridas abertas sangram, e levam o liquido intimo e inigualável.
Cada fluxo tirado sai como um tapa na cara - sem luvas.

Eles andam pela Terra, se vestem como nós e até falam igual.
Não posso me deixar enganar.
Parecem, mas não são. De uma forma ou de outra.
Sussurro para que somente quem importa me ouça.
A voz baixa machuca as cordas vocais. Mais uma vez, o desejo de sangue.

Eles te chamam de louco, sempre que você se abre.
Aprendi que na maioria das vezes, o silencio é amigo.
Falar sozinho é um dom, uma dadiva.
E o desejo está aqui. A vontade está aqui,
O ar impregnado de fumaça, o copo cheio de veneno.

Se olhar pra lua, verá que as suas formas estão mudadas.
A escuridão da noite se tornou clara e o sol parece fraco no dia.
Fitam o branco do infinito, desenham nele oque bem entende.
E o vermelho está aqui, como lentes de contato permanentes.

Subir degraus,  derrubar a si mesmo do alto.
Contar os minutos, e depois não suportar o fato do relógio estar estragado/estagnado.
A musica disforme, as notas imprecisas.
Mas ele continua aqui. Vermelho.
Companheiro, fiel.




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Nemo

Ele tem medo do rosto no espelho.
A sua cabeça roda e inebria sua visão.
Perdeu o tato para o perigo a eras.
Sempre, e sempre, diz que não mais será enganado. Que não mais enganara;
Se engana, meu bem.
Ele sabe exatamente oque faz, mas as vezes, é somente pelo prazer da morte.
Outras, para usar o que acha que é honra.
Uma seita própria, onde a unica palavra que importa, é a de oposição.
Coisas sagradas são inúteis. Não existe um pingo de respeito por nada.
Essa historia, aquele verso rasgado do papel;
O rito de passagem e o cântico de abertura.
Num canto ensopado de ódio e medo, está encolhido em posição fetal.
O maior sabor que se pode experimentar, é aquele que se pensa querer.
Depois da primeira mordida, se percebe que estava cheio e que fez por fazer.
Anseia pelo arrebatar do seu corpo. Não importa o modo que isso ocorra.
A cada linha escondida embaixo da camisa, uma visão de algo que não deveria existir.
São 4 cantos, é chão e teto.
Enquanto esta com o próprio pé no botão de suicídio, morre a cada instante, na cabeça de alguém.
Este pecado busca por fazer um nome.
Perdido pra sempre, em tudo que não se nomeia.
A gota de sangue que sucede, pensa que sonhar de novo bastaria.
"É que o chão que esta acima de tudo, nada jamais pode macular."
Com seus instrumentos sujos e mal cuidados, Nemo nunca entenderia isso.