quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Peregrino

Por entre monstros e ficções, ele percorre o caminho que jurou não existir.
Uma vez, ainda no ninho, prometeu a sua facção principal que se um dia fosse verdade, jamais derramaria uma gota de sangue. Simples, verdadeiro.
O futuro se mostrou e no meio da cortina avermelhada do cinema, um rosto se esconde subitamente, sempre que olham pra ele. Impossível definir "oque" ou "quem".
Os risos estão cravados no coração. A alma, não quer estudo. Nem colo.
Não existem asas. Aliás, exitem; Só não são brancas em candura.
Não existe fogo; existe ausência do frio.
Em meio aos olhares riscados ao vento, vê a correria que se passa nos bolsos de todos os coelhos.
Se esquecem que "o essencial é invisível aos olhos".
A loucura que combina, é tida por insanidade.
Por mais que a chuva o ache, não deixa de tentar se esconder.
A estrada é essa. O caminho é tortuoso. O "fácil" não existe.
O peregrino não deixa de tentar. Ele não deixa de criar.
Não existem frases de efeito para esse momento. O clichê já engoliu todas as autorias do destino.
Um vasto passeio pelo palácio mental que outrora pertencestes a Saturno.
Fecha a porta suavemente enquanto na sua cabeça, o barulho é estrondoso.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

R.E.D.

Tremor agarrado a alma; Doí.
Enquanto o dia passa, o próprio oxigênio me ignora.
Passa direto e não me deixa absorver um pouco de vida.
As feridas abertas sangram, e levam o liquido intimo e inigualável.
Cada fluxo tirado sai como um tapa na cara - sem luvas.

Eles andam pela Terra, se vestem como nós e até falam igual.
Não posso me deixar enganar.
Parecem, mas não são. De uma forma ou de outra.
Sussurro para que somente quem importa me ouça.
A voz baixa machuca as cordas vocais. Mais uma vez, o desejo de sangue.

Eles te chamam de louco, sempre que você se abre.
Aprendi que na maioria das vezes, o silencio é amigo.
Falar sozinho é um dom, uma dadiva.
E o desejo está aqui. A vontade está aqui,
O ar impregnado de fumaça, o copo cheio de veneno.

Se olhar pra lua, verá que as suas formas estão mudadas.
A escuridão da noite se tornou clara e o sol parece fraco no dia.
Fitam o branco do infinito, desenham nele oque bem entende.
E o vermelho está aqui, como lentes de contato permanentes.

Subir degraus,  derrubar a si mesmo do alto.
Contar os minutos, e depois não suportar o fato do relógio estar estragado/estagnado.
A musica disforme, as notas imprecisas.
Mas ele continua aqui. Vermelho.
Companheiro, fiel.




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Nemo

Ele tem medo do rosto no espelho.
A sua cabeça roda e inebria sua visão.
Perdeu o tato para o perigo a eras.
Sempre, e sempre, diz que não mais será enganado. Que não mais enganara;
Se engana, meu bem.
Ele sabe exatamente oque faz, mas as vezes, é somente pelo prazer da morte.
Outras, para usar o que acha que é honra.
Uma seita própria, onde a unica palavra que importa, é a de oposição.
Coisas sagradas são inúteis. Não existe um pingo de respeito por nada.
Essa historia, aquele verso rasgado do papel;
O rito de passagem e o cântico de abertura.
Num canto ensopado de ódio e medo, está encolhido em posição fetal.
O maior sabor que se pode experimentar, é aquele que se pensa querer.
Depois da primeira mordida, se percebe que estava cheio e que fez por fazer.
Anseia pelo arrebatar do seu corpo. Não importa o modo que isso ocorra.
A cada linha escondida embaixo da camisa, uma visão de algo que não deveria existir.
São 4 cantos, é chão e teto.
Enquanto esta com o próprio pé no botão de suicídio, morre a cada instante, na cabeça de alguém.
Este pecado busca por fazer um nome.
Perdido pra sempre, em tudo que não se nomeia.
A gota de sangue que sucede, pensa que sonhar de novo bastaria.
"É que o chão que esta acima de tudo, nada jamais pode macular."
Com seus instrumentos sujos e mal cuidados, Nemo nunca entenderia isso.






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dez Mil

Não é um hobby dividido,
é uma vida mono-somática.
Na medida certa, está partida,
um estudo feito na pratica.

Desde que ao fechar os olhos me veja,
não importa sobre o temporal oportuno.
Somos o "tudo" que almeja,
o sombreado taciturno.

Com a ânsia do saber,
podes então a todos mostrar.
Usa o teu brilho de viver,
permita-se um pouco de tempo pra sonhar.

Contrário ao relógio,
é  anacrônico.
Ah! Doce privilégio,
o mundo é desarmônico.

Saiba que o que tem aqui é teu,
o pingo da chuva no deserto.
O que eu quero chamar de meu,
apenas o teu abraço certo.

Vem aqui pra perto.