segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Platina

Ela era triste e solitária. O jeito como ela mexia o cabelo irritava sua possível mãe e pai. Não suportava mais apanhar todos os dias, enquanto os outros adultos simplesmente viravam a cara.
Na escola, eles a odiavam. Os professores faziam perguntas somente a ela. Ela sempre gaguejava, e é claro, virava motivos de cochichos e piadas maliciosas.
Seus olhos cinzentos, estavam fundos e sombrios. Ela não aguentava mais chorar.
Fora abandonada pela mãe verdadeira e recebida por estranhos. Cada família que sustentasse um órfão, ganhava um pequeno bônus na folha de pagamento...
Seguia a vida fatidicamente ate os seus treze anos. Naquele dia, outro órfão havia chegado a sua cidade. Seu nome era tão diferente quanto o seu... Ninguém ousava repetir em voz alta esses nomes.
Os dois logo ficaram amigos, ou o mais próximo que um podia ter do outro.
Eles estavam sozinhos, mas estavam juntos. A inveja de todos na cidade era explicita.
Fizeram de tudo para manterem ambos longe mas, eles sempre davam um jeito.
A vida parecia melhorar para a triste garota dos olhos cinzentos. Ele a convidou para um campo de flores que havia ali perto. Ninguém ia lá a décadas, pelo que ouvira dos cidadãos dali.
Crianças que não tinham um adulto para cuidar delas. Inocentes que não sabiam que ali havia um raro tipo de planta venenosa, que podia ser fatal quando inalada por alguém com alergia a mesma...
Eles dois se divertiram e se apaixonaram. O dia mais belo que aquele lindo e fatal campo de flores precisou em toda sua existência. Ela deu um beijo no garoto. Juraram que iam fugir. Promessas vagas, que eles realmente queriam cumprir. Eles se deitaram e apreciaram a vista do céu.
Riram das nuvens, riram de tudo. Até deles mesmo.
Ela deitou no colo de Gilgamesh. Ele à abraçou e disse: " Nada pode nos separar. Nem mesmo os deuses". E aquilo foi o ultimo sussurro que Platina ouviu em sua vida na terra...
Quando ela abrisse os olhos, nada mais seria igual. Oque restou foi um Gilgamesh despedaçado.
Talvez, os deuses tenham planos para ambos, numa pós-vida...
Talvez a morte seja o começo de onde a vida parou.
Ninguém jamais responderá ao que tem depois da morte.

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