sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Doce Timbre

O controle esvaece...
Nada que seja sólido chega por aqui.
Todas essas palavras e confissões, são desnudas e retóricas.
Passos articulados rodopiam uma oração infinita e sentimental.
Conte uma piada que eu não tenha ouvido. Faça mais.
Faça que dessa vez, reste mais do que simples pó e sobras.
Nada que escute vai te libertar.
Uma alma não vale a outra.
Um sorriso lindo...


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

00:00

Enquanto os gatos brincam na escuridão, eu desperdiço mais um minuto ou dois no escuro.
Eles não se importam comigo.
As luzes da cidade não chegam nem perto daqui... O lugar é bom pro momento.
Ser uma ilha é tão fácil quanto não ser.
Eu esperava que um um raio me atingisse, mas isso seria pedir demais.
Agora, só agora vejo que dói tanto quanto imaginei - mais.
Tento fazer que fique puro o ar que respiro.
Deixo ser pego ou acusado sem defesa - Réu confesso.
Um dia alguém me falou algo. Um dia eu fiquei em êxtase com as palavras ditas.
Lar sem lua.
Sol sem sombras.
Dias sem sentido.
Cada minuto virou uma eternidade no tempo contínuo.
Olhando pra cima, eu vejo o final do céu.
Ele é limitado, mas talvez não seja.
Nenhuma estrela brilha por mim.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Dor dos olhos

Eu sei oque eu sinto, mas me perdi no caminho.
Fumaça que passa e deixa rastros de morte.
Ninguém esta falando sobre isso.
Eu sempre falei a verdade. É só um pingo do céu.
Não deixe que ele caia, mas não quero que tente segurar.
Tédio não existe. Existe condescendência.
Nunca vou te machucar.
Consegue sentir eu me desmanchando?
Não são apenas fotos, disso sabemos.
Peças que montamos juntos e agora quer que fique tudo em uma caixinha... Não cabem.
Me usei demais, me desprezei demais.
Não posso relacionar oque passa por mim agora.
Eu preciso de você.
Não deixe que eu caia. Vamos juntos, seguir o caminho afora.
Deixe que eu te abrace, faça uma confissão pra mim.
Olhos não podem mentir.
Eu estou aqui, tentando aguentar firme.
Sempre tem alguém tentando aguentar firme.
As pessoas só se esquecem que ninguém aguenta isso sozinho.
Necessidade, sentimento, dança...
Segure minha mão, e diga mais uma vez oque eu quero ouvir.
Diga do fundo, do coração.
Abra seus lábios e deixe sair oque se passa...
Amor.




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Linhas Translúcidas

Tentando fazer com que o ar não acabe, eu te respiro novamente.
A mente vaga por onde não devia e agora, minhas respostas são chatas demais.
Penso no que sinto e no que sei. Dói.
Não há velocidade que me tenha trago tanta adrenalina.
O teu sabor está em mim... me inunda de carência.
Os respingos que estão no meu peito são meus ou teus?
Turbilhão de imagens vindo e indo rápido demais.
Eu não posso te lavar da minha pele.
Não quero que me lave da sua.
É como mágica; Num minuto você não vê, mas pode sentir logo no outro.
Não importa a distancia que isso traga.
A necessidade que tenho de você é algo que não estou disposto abrir mão.
Deixo os olhos se fecharem mais uma vez. Agora já abafei metade de 1% das vozes.
Tentar achar um meio de não me perder.
Respirar do seu ar, que eu tanto quero...




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

221-b

Os amigos foram todos embora.
Um susto de vida ressabida;
Memorias pesadas. Doem,
Não dá pra esquecer quem você é.
O tempo é igual uma pasta de dente;
Rápida no começo e demorada no final...
Vida equalizada no sabão usado.
Morte feita em lindas cartas de amor.
Só me lembro agora daqueles campos que cantei.
Só sinto o gosto de morangos.
Seja bem vinda. Não esqueça sua coberta e seu mantra.
O que esse corpo usado pode te oferecer?
Viva rápido... Morra  limpo.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os Homens-Minuto

Mudo é o mundo que sujeita a sujeira,
Não cresce, nem diminui, mas espreita suas vidas,
Entorta via a beira,
Regressa perante as idas.

Lamento que não se preocupem com o ardor da pele;
Entristeço quando viram os olhos pros céus em chamas coloridas.
Não vou embora enquanto sentir que me compele.
Não deixarei que sobreviva esse complexo de Midas.

Palavra usada e recusada;
Agente neutro dessa motivação.
Enquanto um único velho fica na enseada,
É deixado de lado um outro à beira-chão.

Uma rosa pode sim brilhar dentre suas lágrimas,
Se enche e esvazia no meio ao puro cristal que desce.
Fazendo de todos nós vitimas,
Desce fogo que nos enrubesce...


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Platina

Ela era triste e solitária. O jeito como ela mexia o cabelo irritava sua possível mãe e pai. Não suportava mais apanhar todos os dias, enquanto os outros adultos simplesmente viravam a cara.
Na escola, eles a odiavam. Os professores faziam perguntas somente a ela. Ela sempre gaguejava, e é claro, virava motivos de cochichos e piadas maliciosas.
Seus olhos cinzentos, estavam fundos e sombrios. Ela não aguentava mais chorar.
Fora abandonada pela mãe verdadeira e recebida por estranhos. Cada família que sustentasse um órfão, ganhava um pequeno bônus na folha de pagamento...
Seguia a vida fatidicamente ate os seus treze anos. Naquele dia, outro órfão havia chegado a sua cidade. Seu nome era tão diferente quanto o seu... Ninguém ousava repetir em voz alta esses nomes.
Os dois logo ficaram amigos, ou o mais próximo que um podia ter do outro.
Eles estavam sozinhos, mas estavam juntos. A inveja de todos na cidade era explicita.
Fizeram de tudo para manterem ambos longe mas, eles sempre davam um jeito.
A vida parecia melhorar para a triste garota dos olhos cinzentos. Ele a convidou para um campo de flores que havia ali perto. Ninguém ia lá a décadas, pelo que ouvira dos cidadãos dali.
Crianças que não tinham um adulto para cuidar delas. Inocentes que não sabiam que ali havia um raro tipo de planta venenosa, que podia ser fatal quando inalada por alguém com alergia a mesma...
Eles dois se divertiram e se apaixonaram. O dia mais belo que aquele lindo e fatal campo de flores precisou em toda sua existência. Ela deu um beijo no garoto. Juraram que iam fugir. Promessas vagas, que eles realmente queriam cumprir. Eles se deitaram e apreciaram a vista do céu.
Riram das nuvens, riram de tudo. Até deles mesmo.
Ela deitou no colo de Gilgamesh. Ele à abraçou e disse: " Nada pode nos separar. Nem mesmo os deuses". E aquilo foi o ultimo sussurro que Platina ouviu em sua vida na terra...
Quando ela abrisse os olhos, nada mais seria igual. Oque restou foi um Gilgamesh despedaçado.
Talvez, os deuses tenham planos para ambos, numa pós-vida...
Talvez a morte seja o começo de onde a vida parou.
Ninguém jamais responderá ao que tem depois da morte.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tártaro

Quero que alguma entidade me leve. Não importa qual.
Sinto que minha hora chegou. É diferente do que eu achava.
Não há dor, nem lágrimas.
Só escuro e silencio.
Alguém sabe oque é?
Tons de pânico rolam, mas não afetam a obra inteira.
Não quero mais criticar nada. Minhas opiniões estão obsoletas.
Os dados ficaram presos nos dedos desse velho jogador. Ele (se) perdeu.
Ninguém pode fazer nada?
Carisma, volte três casas.
Recebi uma carta em branco e ainda não tive coragem de ler.
Sou apenas uma pessoa como as outras.
Não quero travar uma guerra com borboletas e buracos negros.
O bater dessas asas me cegam e eu queria tanto poder enxergar...