sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Coração

No escuro você não esquece nada.
Sua memoria se torna imortal, assim como suas emoções.
Você não pode voltar, não de novo.
Quando foi lhe dado o amor, você amou.
Quando foi lhe pedido o retorno, você deu.
Não se passou um dia sem que você não tenha pensado, mas ainda não chegou a conclusões.
Os relatos passados são desnecessários.
Com a corda no pescoço e com a luxuria nos olhos.
Você pode mentir, mas não pode se enganar.
Acumule para si oque tens desejado...


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Suicide Note pt3

Não consigo captar uma nota se quer... Hoje é tudo cacofonia.
A música se foi e eu fiquei sozinho. Eu e a solidão. Eu e a miséria.
Chegou o meu momento, mesmo que eu quisesse prolongá-lo não poderia.
Gosto do escuro no quarto e do vazio no peito.
Da sensação de estar com fome, ou sede, ou qualquer outro desses desejos triviais.
Penso que não é assim que deve ser.
Meu corpo definha enquanto me nego a luz do sol.
Não mereço que o brilho divino me preencha.
Sou inimigo de tudo que é certo.
Já é manha e continuo com a sensação de que o mundo acabou.
Os sonhos se tornam pesadelos, e os pesadelos realidades. Eu sou um nada.
Isso não é um grito por socorro. Não quero ser salvo. Não tenho esperanças.
Mas se fosse, eu usaria a vida da mesma maneira. Provavelmente de maneira ainda pior.
Acordaria todos os dias, e sentiria o peso do mundo nas costas.
Talvez eu simplesmente dormisse mais, só para que as visões me matassem mais depressa.
Para poder sentir o tormento que eu penso merecer.
Eu sou esse tipo de pessoa. Não lamentem por mim, eu nunca mereci nada disso.
Gastem seus sorrisos e palavras de consolo com quem merece.
É injusto pedir que não sofram, mas ainda assim eu peço, porque se estou aqui ainda,
é por causa de um minusculo time de pessoas que me fazem acreditar que isso não é real, que a dor é passageira.
Mas eu sei a verdade. Tudo isso sim é real. E nada vai passar.
O peso dessa atitude somente irá piorar tudo, mas é assim que eu vi.
Talvez um dia, num lugar onde não se contem as horas, ou que ninguém precisaria se preocupar com nada, eu te veja de novo. Talvez você esteja feliz com outra pessoa. Talvez, esteja me esperando.
Quem sabe quando a dor passar, quando os meus olhos se abrirem e eu já não mais precisar limpar o sangue das mãos.
Enquanto o escuro se amplia, eu vou juntar as palavras mais bonitas que eu aprendi. Sussurrarei o nome mais lindo que conheci. Quem sabe assim eu tenha dado algum significado a minha breve vida.
Eu ainda penso em você amigo. Tenho muito a te contar.
Acontece que não sei se quero que você me ouça.
Toda essa conversa juvenil de não saber nada de nada.
Todos esses sermões vagos auto-aplicados que não levam ninguém a nada.
Talvez eu segure essa vontade mais um tempo.



Pode não ser hoje, mas um dia será.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ela

Dói. Bem no fundo e também na superfície. Em tudo.
Segundos são arrastados por semanas. 
Minha boca está seca; Eu queria tanto um toque seu...
O brilho que eu tenho no coração está podre, fraco e fosco.
Repentinamente minha alma se joga ao vento oposto - sem força.
É tudo raso demais ou fundo demais.
As palavras são verdadeiras - Eu Te Amo.
Desejo tanto que dói. Anseio tanto que chego a esquecer de tudo mais.
Não é apego, veja bem. É isso que não podemos explicar.
Esse eterno clichê que lemos ou assistimos todos os dias.
Dói não te ter... Expurga o meu ser não poder te tocar.
Quero saber se sou realmente necessário no mundo. Se existo.
Todos deviam ser autos-suficientes, mas olhe só a novidade: - ninguém é.
Eu preciso de você tanto quanto do ar. 
Cai na real e vêm logo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Untitled

O passado já não é o que foi. Uma vista de olhos revela que a memoria é traiçoeira.
Segue-se reto a ironia de não saber nada - confuso demais/pseudo sabe tudo.
Eu não estou aqui. Não há ninguém aqui.
Numa tarde enrustida de aurora, as palavras escritas esvaecem com sutileza.
Não existe choro,pois uma vez que se entra ele foi abandonado.
O rasgo no tempo e espaço abre novamente uma entrada.
Dancem com os fantasmas, pois eles gostam de doçura.
Uma pequena melodia ecoa na atmosfera apenas pra cantar que tudo vai acabar bem.


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A Fome

Por dentro o vazio suga e repele; Sujo.
Não há de saciar-se; É infinito(por tempo ou sem tempo).
Os olhos que me seguem não possuem nenhum pudor - assim como os meus.
Nada se aplica ao entendimento - se faz sentido, então não há razão vil.
É que hoje, eu resolvi abrir os olhos.
Essas lentes do mundo, que mostram tudo que você quer ver.
O que sobrar, além da história, são apenas memórias;
Não irei me agarrar a elas, mas sim, viver com elas novamente.
No vazio do sono, entregarei novamente minha alma...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Intermission - Harley Queen - End Intermission

Sejam bem vindos ao fantástico(não confundam com a T.V.) mundo do Harley Queen! Aqui, onde Luz e Trevas se envolvem, tudo é de todo mundo, e nada é de ninguém.
A porta está aberta, ou será que está fechada? Não se sabe, afinal isto é um conceito ultrapassado - não se cerca o "mundo".
Vejam como todos aqui sorriem; As lágrimas não são mostradas, pois já escorreram todas na entrada - que não existe.
Não se pode reclamar; Veja bem, qual o problema? Não existe certo, ou errado.
Feio ou bonito é uma questão de opinião ou gosto? Não são a mesmíssima coisa? Ora pois, como alguém pode saber!?!?!
A cada ato feito para o bem, você ganha um monte de nada. A cada ato maldoso, você ganha o mesmo tanto, porém, cuidado... Existe um sino, e ninguém sabe por quem ele dobra.
Pouca poeira na entrada(ou será saída), indicam mudança constante, mas sempre são os mesmos rostos(embora os nomes mudem de quando em quando).
No alto da pedra, sentado como quem não quer nada(ou como quem quer tudo) está uma pessoinha.
Não há necessidade de saudá-lo, nem mesmo de lembrar que ele está ali(bobo dele que não usa almofadas). Ele(ela?) é sustentável, e está muito bem, obrigado!
O mundo inteiro cabe ali, mas o espaço é bem pequeno. Talvez o mundo seja pequeno, talvez exista gente demais. Ou talvez seja exatamente o contrário(só que invertido de cima pra baixo).
HaHaHa! Vamos rir, vamos dançar. Não deixaremos nada nos abalar(rima feia, mas funciona).
A comédia não passou nem perto. A tragédia não sabe nem quando está com fome.
Viva esse mundo! Que jamais você saia dele, mas olha, não se esqueça de entrar viu?
Até a próxima!

A Dama Púrpura

Os vívidos dela o puxaram pra perto. O som que saia dos instrumentos dos músicos pararam e só se ouvia um zumbido ao fundo. O vestido púrpuro que ela usava o fez receber esse nome - e ela gostou.
A conversa interminável não aborrecia, e nem mesmo cansava. Os olhares do "mundo", eram bizarros e ranhosos. Se alguém se aproximasse, seria degolado em instantes por aquela bolha envolta deles.
Não se ouvia nada, não se via nada. Todas as coisas se tornaram irrelevantes e então se beijaram.
Se exibiam e se embriagavam do próprio ar.
O vento sussurrava em seus ouvidos, mas ele ignoravam.
Se podiam ter um ao outro, nada mais importava.
A verdade é que permanece indubitavelmente; Se amam.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sem/Com

A estrada não tem fim. Não existe arrebatamento.
Por mais que se divirta agora, logo em seguia você irá se entediar.
O vulto de um culto, que leva a guilhotina nas costas.
Existe força, existe poder. Enfim, não sabe oque há de ser.
Frio e quente, sem precedentes.
Nada existe como ele pensava(criava).
Há de ser oque o mundo precisa, por que convenhamos, assassinos já existem muitos.
Vencer a si mesmo todos os dias.
Perder pra si mesmo toda hora.
Há uma caixa vazia com o meu nome escrito; ela apenas aguarda que eu faça as honras.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Abstinência

E o vento já passou, oras.
O sorriso porém, permanece junto com cada detalhe entalhado na mente.
Existem frascos de amor infinito.
Ainda se lambem como gatos filhotes.
As juras são feitas sim, mas em silencio.
O reflexo das sombras, aparece apenas para palpitar.
Se são reclusos, é porque querem.
O mundo é pequeno demais e não merece ser conquistado por eles.
O controle não é absoluto, mas é mais do que o necessário.
Estão apenas no começo do que um dia será maior que o céu - bem maior.



Rick

Rick saiu de casa cedo, e não se despediu dos pais. Não lhes deu um beijo de bom dia, ou sequer disse que os amava. Os olhos presos no celular, fazem caras e bocas pra uma tela hipinótica.
A salvação do mundo moderno também é a sua ruína.
No caminho para a escola, Rick não percebeu que a velhinha e sua bengala precisavam de ajuda pra atravessar a rua; Ele não viu o sorriso da garçonete ao lhe entregar o troco de seu café; Não cumprimentou seu amigo de infância, porque estava dando um "like" em uma foto quando o mesmo acenou pra ele; Ele não sorriu para uma gatinho que estava brincando com o vento na rua; Pisou em cima de um grilo, porque não olhou por onde estava andando; Não houve tempo de notar o carro vindo, ou as pessoas gritando para ele. O motorista não teve tempo de manobrar o veiculo, pois estava acabando de trocar a música em seu rádio. Rick não ouviu o baralho dos pneus na estrada ou dos vidros se despedaçando na sua própria pele.

Rick não sabe o que foi que deu errado. Ele se lamenta, por não saber onde foi que errou.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Guerra e Paz

A lamina imunda - mas bem cuidada - deixa cair uma gota de suor e sujeira (ou seria sangue?)
Para ele não fazia diferença. Após anos no campo de batalha, não se lembraria nem mesmo de uma boa noite de sono. Uma em que você não precisasse dormir com um olho aberto e outro fechado. Poderia deixar suas armas longe e remover as enormes botas pra dormir. A roupa, não precisaria ser dura e escamosa. Poderia usar uma flanela fina e macia, ou então nada. Pensamento irrequietos tentavam florescer, mas o braço treinado - e cansado -  sabe a direção onde se mover; Defende um golpe certeiro e rebate com outro ainda mais letal. Viu os olhos do guerreiro que abateu; Piedade. Morte. Justiça. Já não reconheceria mais os rostos de sua família se os vissem, mas se lembraria desse rosto pra sempre. Não tinha certeza do porque estava ali. mas golpeava firmemente tudo com uma cor diferente da sua que se movesse.
O cheiro era insuportável. Faziam mais de meses de combates incessantes. Ouviu passos fortes e se virou. Era uma garota. Seus olhos tinham o fogo do inferno e seus movimentos estavam todos muito pesados. Talvez fosse o cansaço. Talvez fosse a fome. O tintilar das espadas ecoaram pelo campo. Ali, os dois pareciam estar em um julgamento divino: "Senhoras e Senhores! Que tudo se decida agora!". Nenhuma palma ou grito de gratidão. Apenas machucados e lindas escoriações permanentes.
As pernas da garota fraquejam e ela toma um golpe certeiro no peito. Por um instante, o jovem guerreiro sente pena dela. Devia estar ali por ordem de alguém. Ou até mesmo, faria parte dos "rebeldes livres", que só queriam que a guerra acabasse. Estranho, que para isso, eles estavam também em guerra, e a há tanto tempo, que assim como o jovem guerreiro, não faziam a minima ideia do "porquê". Perdido em devaneios ele olha pra garota. Seus corpos tão juntos que se não fosse o cenário, alguns diriam que eram amantes. Ela sorri e olha para o peito dele. Ele acompanha e vê uma faca de caça talhada até o cabo no seu peito. Ele havia baixado a guarda. Eles riem, e o riso, parecia parar a guerra - por uma fração de segundos - e o mundo voltava ao normal. Mesmo que por instante e sem se conhecer, eles se amaram e entenderam o motivo disso tudo. 
Enquanto a Morte chegava exausta para a sua patrulha diária(vejam que até a senhora Morte está em guerra), parou para admirar o casal de estranhos. Mortos um pelo outro, e ainda assim, morreram de mãos dadas. Uma lágrima fina escorreu da face esquelética ao ver um pesaroso sorriso em ambos. Se fosse em outra ocasião, ela deixaria essa passar, mas simplesmente não pode evitar a cena...


Enquanto isso há milhas de distancia, uma bela e longa mesa está farta e todos nela riem escandalosamente. Vassalos(ou deveria dizer escravos?) enchem os copos de seus senhores com um vinho mais caro que toda a comida de um ano que o guerreiro comeu com seus companheiros antes de partir. Os senhores falam sobre coisas fúteis e reclamam sobre a "impureza" do ar que respiram. lembram vagamente que o mundo está em guerra e não se preocupam com os milhões mortos(por eles) a cada dia. Eles se olham e riem. Eles riem, mas não sabem de quê ou porquê...

"Talvez" - Disse a Morte - "Talvez eu estivesse realmente no lugar errado, só pra não quebrar o clichê"... Enxugou a lágrima e continuou seu trajeto.



Antes de estar, isto é o fim. Ou não...




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Vivência

A noite se apaga sem que o clarão se apague.
Não houve escuridão, e o fogo esta aqui.
Aos poucos, somos tomados(ironia) pela vastidão de tudo.
Não há como nos poupar disso. A culpa é nossa.
Reveste ai sua boa e linda roupa pro domingo.
Não esqueça a peruca e o nariz.
O revés que estamos, a lama que não possui incumbência.
Só que agora quando ouvir que "o inverno está chegando", você não mais associará.
Inverno =Inferno.



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Tom e Cecília (fade in/fade out)

Tom pega a fotografia e olha por alguns segundos. Sente um leve tremor pelo corpo, e olha com cautela para sua companheira ao lado. Ela viu, mas irá deixar passar dessa vez. Ele coloca a foto em cima de uma pequena bancada ao lado da cama, e se despede pra dormir.
Cecília espera com cuidado até que seu amado durma e só então vai buscar a foto do outro lado do quarto. "Uma bela imagem" - Pensa ela. Não se deu ao trabalho de sair da frente de Tom, e continua ali mesmo, em pé olhando a fotografia. Cai profundamente no mundo paralelo da imagem e se sente dentro dela por alguns instantes. Muitas pessoas sorriem, e outras mais ao canto parecem estar contando um segredo umas as outras. Os olhos ávidos de Cecília não deixam nada passar em branco e ela vê a si mesma olhando para uma arvore bem ao canto. Seguindo seus olhos ela vê cortes em uma parte do tronco e tenta ler oque está ali. Passado e presente se misturam e ela sente a mão de Tom tocar seu ante-braço. Num susto ela "acorda" e olha para seu fiel escudeiro. Ele pergunta oque houve, com uma expressão preocupada em seu rosto. Cecília diz que queria saber o que estava escrito naquela árvore e Tom sorri. Aos poucos o sorriso se torna uma gargalhada e logo, eles dois estão rolando na cama sem mesmo entender o porquê. Gastaram um tempo ambivalente para que pudessem fazer os seus  rostos voltarem ao normal e deixar aqueles largos sorrisos desaparecerem - mas não por completo - de seus rostos. Ela pergunta de novo sobre a escritura na árvore. Tom apenas pergunta que horas são, e então, Cecília se lembra. Por um longo tempo se beijaram, pra depois consumar o fato que estão juntos há tanto tempo.
A foto está repousando no chão, enquanto Tom e Cecília dorme de mãos dadas.
Lá fora, o mundo não imagina que ali dentro, estão os únicos que podem ser oque querem, sem fazer esforço pra isso.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Milonga

Era noite em sua cabeça, mas lá fora o sol rasgava a pele de quem ousasse sair. Os pequenos barulhos do dia o irritavam tanto que logo seria difícil ignorar. Ele via tudo com outros olhos, não importava o quão doloroso era na verdade. Contava os "tic-tacs" do relógio imenso que tinha em seu quarto. Tentava descobrir que horas eram, sem mesmo abrir os olhos. Aquilo o acalmava e, pouco a pouco, ele se encontrou onde queria estar...

"As nuvens carregadas pairavam sobre o céu, mas nenhuma gota de chuva descia. Ainda haviam alguns pássaros, enfileirados nas arvores colossais que descansavam naquele imenso vale. Lá longe, ele podia ver montanhas cercando o mundo todo. Refletiu na quantidade de vidas que existiam ali. Pensou que não poderia jamais enumerar as riquezas que a Terra tinha.
Sozinho -  como o mundo queria -  ele andava por um caminho estreito, cheio de pequenas flores no chão. Vez ou outra um vulto o olhava por entre as arvores. Por de certo um animal que ali vivia. Ele sempre demonstrou respeito pelo que não podia ver.
A caminhada foi longa, mas ele não estava cansado ou entediado. Finalmente chegou a uma casinha, linda e simples. Exitou por alguns instantes, mas abriu a cerca que levava até a unica porta que a casa tinha. Tirou a poeira das luvas que usava e levemente bateu três vezes na porta. Uma criança abriu e sem fazer contato visual, pediu que entrasse. O viajante temporal entrou e se sentou numa cadeira de balanço que o menino havia apontado. Ele observou o menino por um tempo. O rosto dele não tinha olhos ou boca, e pareciam sempre estar na mesma posição. Será que era tudo se desfazendo?
Olhou pela entrada da porta, que ainda estava aberta. As arvores, as nuvens, tudo parecia estar desmanchando. Ele tentou levantar, mas seu corpo pesou pela primeira vez ali. A voz não saiu de sua boca e ele sentia o chão tremer enquanto um branco imenso ia tomando conta de tudo..."

Novamente os barulhos do dia o interromperam. Conseguiu ir mais longe dessa vez, mas ao entrar na casa, a estabilidade, a conexão, se perdia. Pensou naquele menino sem face. A sensação que aquele garoto transmitia era tão "pessoal" pra ele. Disse à si mesmo que não era mais hora pra isso.
Abriu os olhos devagar e se viu no seu quarto. O corpo não o respondia prontamente, mas as diferenças daquele lugar lindo para ali eram imensas.
Resolveu esquecer aquilo por mais um tempo. Abriu as portas e saiu, para que o sol também rasgasse a sua pele...

sábado, 7 de junho de 2014

Diminuto

E de tanto estar aqui, não sei onde é.
Lindas e pequeninas paredes de concreto;
Saia da minha cabeça! Pois é.
Não posso adivinhar porque saiu do caminho reto.

Não mudou nada desde que se foram os ventos.
Renuncia o bom, pede emprestado o incerto;
Faz da birra, da vida, do selo, do amor; Relentos.
Busca pois o vazio do céu aberto.

Passou da lucidez escondida na canto.
Releu o capitulo em fotos guardadas;
Soltou seu mais feliz e triste pranto.
Disse à si mesmo: "Asas quebradas"

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Kill Lua

Ele se perdeu. Não sabe mais achar a música.
Fecha os olhos e abre a alma, mas não sente o toque harmônico.
Nem na sua cabeça, consegue mais formular os zumbidos que antes viravam canções.
Chato. Massante. Irritante.
Abre um livro. Busca amor.
Lá fora - perto dos homens - há de haver algo que o encante.
Ele não quer ser encantado.
Quer de volta o infinito. Anseia por fogo, daqueles que a água não apaga.
O brilho da noite enche seu rosto de solidão.
Se pergunta se lá - na Lua -  poderia estar a resposta.
Ele sorri sem querer.
Uma solitária lagrima desce pelo rosto.
Enquanto fecha o mundo ao seu redor, risca na mente desenhos mudos.
Ele vai matar a Lua.




segunda-feira, 2 de junho de 2014

Fantasmas

Não é a dor que consome a luz;
O fato é que não há motivos - ou razão - para sair da penumbra.
A vida se torna a cada dia mais chata, e eventualmente, cinzas serão sopradas.
Os olhos estão pesados e da cor que um dia foi admirado por ti...
As palavras são profundas, caras e dadas em abundancia ou escassez.
Talvez um livro seja aberto. Talvez, o final feliz te seduza;
Apagar as sórditas ideias que vem tão rápido, e ficam tanto tempo.
Não poderia deixar de resgatar algo do mar;
Não viveria(mesmo que sem gosto) por uma simples pedra;
Ela teria que ser mais. Eu haveria de conhecer o teu gosto e valor.
Somar tudo e perceber que não te darão o tempo que deseja - nem que precisa;
Levantar de novo, deitar de novo - dislexia.
Uma palavra se tornar uma frase. Uma frase se tornar um texto.
Um texto se tornar um livro, e depois de ser jogado fora, queimaria e subiria à cabeça.
Há sempre uma caixa escondida com obscuridade.
Abra os olhos e me diga oque vê;
Doces toques prontos para dois.
Desespero na estrada certa - ou não.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Doce Timbre

O controle esvaece...
Nada que seja sólido chega por aqui.
Todas essas palavras e confissões, são desnudas e retóricas.
Passos articulados rodopiam uma oração infinita e sentimental.
Conte uma piada que eu não tenha ouvido. Faça mais.
Faça que dessa vez, reste mais do que simples pó e sobras.
Nada que escute vai te libertar.
Uma alma não vale a outra.
Um sorriso lindo...


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

00:00

Enquanto os gatos brincam na escuridão, eu desperdiço mais um minuto ou dois no escuro.
Eles não se importam comigo.
As luzes da cidade não chegam nem perto daqui... O lugar é bom pro momento.
Ser uma ilha é tão fácil quanto não ser.
Eu esperava que um um raio me atingisse, mas isso seria pedir demais.
Agora, só agora vejo que dói tanto quanto imaginei - mais.
Tento fazer que fique puro o ar que respiro.
Deixo ser pego ou acusado sem defesa - Réu confesso.
Um dia alguém me falou algo. Um dia eu fiquei em êxtase com as palavras ditas.
Lar sem lua.
Sol sem sombras.
Dias sem sentido.
Cada minuto virou uma eternidade no tempo contínuo.
Olhando pra cima, eu vejo o final do céu.
Ele é limitado, mas talvez não seja.
Nenhuma estrela brilha por mim.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Dor dos olhos

Eu sei oque eu sinto, mas me perdi no caminho.
Fumaça que passa e deixa rastros de morte.
Ninguém esta falando sobre isso.
Eu sempre falei a verdade. É só um pingo do céu.
Não deixe que ele caia, mas não quero que tente segurar.
Tédio não existe. Existe condescendência.
Nunca vou te machucar.
Consegue sentir eu me desmanchando?
Não são apenas fotos, disso sabemos.
Peças que montamos juntos e agora quer que fique tudo em uma caixinha... Não cabem.
Me usei demais, me desprezei demais.
Não posso relacionar oque passa por mim agora.
Eu preciso de você.
Não deixe que eu caia. Vamos juntos, seguir o caminho afora.
Deixe que eu te abrace, faça uma confissão pra mim.
Olhos não podem mentir.
Eu estou aqui, tentando aguentar firme.
Sempre tem alguém tentando aguentar firme.
As pessoas só se esquecem que ninguém aguenta isso sozinho.
Necessidade, sentimento, dança...
Segure minha mão, e diga mais uma vez oque eu quero ouvir.
Diga do fundo, do coração.
Abra seus lábios e deixe sair oque se passa...
Amor.




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Linhas Translúcidas

Tentando fazer com que o ar não acabe, eu te respiro novamente.
A mente vaga por onde não devia e agora, minhas respostas são chatas demais.
Penso no que sinto e no que sei. Dói.
Não há velocidade que me tenha trago tanta adrenalina.
O teu sabor está em mim... me inunda de carência.
Os respingos que estão no meu peito são meus ou teus?
Turbilhão de imagens vindo e indo rápido demais.
Eu não posso te lavar da minha pele.
Não quero que me lave da sua.
É como mágica; Num minuto você não vê, mas pode sentir logo no outro.
Não importa a distancia que isso traga.
A necessidade que tenho de você é algo que não estou disposto abrir mão.
Deixo os olhos se fecharem mais uma vez. Agora já abafei metade de 1% das vozes.
Tentar achar um meio de não me perder.
Respirar do seu ar, que eu tanto quero...




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

221-b

Os amigos foram todos embora.
Um susto de vida ressabida;
Memorias pesadas. Doem,
Não dá pra esquecer quem você é.
O tempo é igual uma pasta de dente;
Rápida no começo e demorada no final...
Vida equalizada no sabão usado.
Morte feita em lindas cartas de amor.
Só me lembro agora daqueles campos que cantei.
Só sinto o gosto de morangos.
Seja bem vinda. Não esqueça sua coberta e seu mantra.
O que esse corpo usado pode te oferecer?
Viva rápido... Morra  limpo.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os Homens-Minuto

Mudo é o mundo que sujeita a sujeira,
Não cresce, nem diminui, mas espreita suas vidas,
Entorta via a beira,
Regressa perante as idas.

Lamento que não se preocupem com o ardor da pele;
Entristeço quando viram os olhos pros céus em chamas coloridas.
Não vou embora enquanto sentir que me compele.
Não deixarei que sobreviva esse complexo de Midas.

Palavra usada e recusada;
Agente neutro dessa motivação.
Enquanto um único velho fica na enseada,
É deixado de lado um outro à beira-chão.

Uma rosa pode sim brilhar dentre suas lágrimas,
Se enche e esvazia no meio ao puro cristal que desce.
Fazendo de todos nós vitimas,
Desce fogo que nos enrubesce...


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Platina

Ela era triste e solitária. O jeito como ela mexia o cabelo irritava sua possível mãe e pai. Não suportava mais apanhar todos os dias, enquanto os outros adultos simplesmente viravam a cara.
Na escola, eles a odiavam. Os professores faziam perguntas somente a ela. Ela sempre gaguejava, e é claro, virava motivos de cochichos e piadas maliciosas.
Seus olhos cinzentos, estavam fundos e sombrios. Ela não aguentava mais chorar.
Fora abandonada pela mãe verdadeira e recebida por estranhos. Cada família que sustentasse um órfão, ganhava um pequeno bônus na folha de pagamento...
Seguia a vida fatidicamente ate os seus treze anos. Naquele dia, outro órfão havia chegado a sua cidade. Seu nome era tão diferente quanto o seu... Ninguém ousava repetir em voz alta esses nomes.
Os dois logo ficaram amigos, ou o mais próximo que um podia ter do outro.
Eles estavam sozinhos, mas estavam juntos. A inveja de todos na cidade era explicita.
Fizeram de tudo para manterem ambos longe mas, eles sempre davam um jeito.
A vida parecia melhorar para a triste garota dos olhos cinzentos. Ele a convidou para um campo de flores que havia ali perto. Ninguém ia lá a décadas, pelo que ouvira dos cidadãos dali.
Crianças que não tinham um adulto para cuidar delas. Inocentes que não sabiam que ali havia um raro tipo de planta venenosa, que podia ser fatal quando inalada por alguém com alergia a mesma...
Eles dois se divertiram e se apaixonaram. O dia mais belo que aquele lindo e fatal campo de flores precisou em toda sua existência. Ela deu um beijo no garoto. Juraram que iam fugir. Promessas vagas, que eles realmente queriam cumprir. Eles se deitaram e apreciaram a vista do céu.
Riram das nuvens, riram de tudo. Até deles mesmo.
Ela deitou no colo de Gilgamesh. Ele à abraçou e disse: " Nada pode nos separar. Nem mesmo os deuses". E aquilo foi o ultimo sussurro que Platina ouviu em sua vida na terra...
Quando ela abrisse os olhos, nada mais seria igual. Oque restou foi um Gilgamesh despedaçado.
Talvez, os deuses tenham planos para ambos, numa pós-vida...
Talvez a morte seja o começo de onde a vida parou.
Ninguém jamais responderá ao que tem depois da morte.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tártaro

Quero que alguma entidade me leve. Não importa qual.
Sinto que minha hora chegou. É diferente do que eu achava.
Não há dor, nem lágrimas.
Só escuro e silencio.
Alguém sabe oque é?
Tons de pânico rolam, mas não afetam a obra inteira.
Não quero mais criticar nada. Minhas opiniões estão obsoletas.
Os dados ficaram presos nos dedos desse velho jogador. Ele (se) perdeu.
Ninguém pode fazer nada?
Carisma, volte três casas.
Recebi uma carta em branco e ainda não tive coragem de ler.
Sou apenas uma pessoa como as outras.
Não quero travar uma guerra com borboletas e buracos negros.
O bater dessas asas me cegam e eu queria tanto poder enxergar...