segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Anna, Do lado de Fora

A constante mudança de assunto na mesa de jantar a deixou irritada. Suas amigas sempre faziam isso. elas nunca concluíam assunto algum.
Ela virava a cara, e tomava um gole de seu suco "batizado". Sairia dali, seja pra onde for, sem saber nem seu próprio nome.
A mãe, figura quase inexistente, disse umas três vezes pra ela se cuidar. Mas isso, tinha sido há muito tempo.
Hoje, Anna sabia o que queria. Ela queria esquecer. Esquecer o que tinham feito pra ela. O que ela tinha feito pra si mesmo.
No paradoxo da noite, onde festas e orgias tomavam conta de tudo, nem mesmo as drogas deixavam ela animada mais. Todos aqueles caras mimados, que jamais teriam que mover uma palha pra se sustentar, não faziam mais efeito algum pra ela.
Naquela noite, resolvera ir à um show de rock. Uma banda muito famosa e seus ícones destroçados.
Perambulou por entre a multidão sem dar à minima a nada. A banda tocava furiosamente enquanto ela se jogava de braços em braços... Ela foi tocada por um arrepio e olhou pra o palco. O vocalista olhava diretamente pra ela, e todos perceberam. Como mágica, ela foi lançada  ao palco e tomada pelas mão dele. Ela sentiu um frio estranho vindo dele. Eles eram iguais. Nenhum queria continuar com nada daquilo. O mundo se tornara um lugar podre, e eles eram vitimas das circunstancias. Se beijaram até o solo da guitarra terminar e ela fugiu dali. O público gritava por Jacob, mas ele apenas encerrou a performance. Algo dele havia sido levado junto com Anna.
Ela correu até seus pés não aguentarem mais. Lamentou ter nascido sentou no chão sujo da rodoviária.
Não sabia o que estava acontecendo, não ouvia absolutamente nada.
Seus olhos coloridos artificialmente, encontraram aquele estranho dos olhos frios. Se entreolharam até que finalmente ele estendeu a mão pra ela. "Meu nome é Jacob, qual o seu?" disse o estranho garoto com roupas bizarras de mais.
"Anna", disse ela num sussurro quase inaudível. Eles sorriram um pro outro e saíram de mãos dadas naquela noite fria e suja.
Depois de algum tempo, o sol nascia e com ele, vinha uma pequena esperança de vida.

1 Confessaram:

serra de alencar, gabriela disse...

Deu vontade de saber o que acontece depois do sol nascer =)

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