sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Anna, Aquela Que Nunca Existiu

A mensagem na tela do celular dizia "mais um dia, por você". Anna não entendia por que aquele garoto estranho depositava nela tanto amor. Nem sabiam ao certo quem eram. E mesmo assim, nutriam um pelo outro um fascínio esmagador.
Pensou em Jacob. Ficou imaginando ele, largado em sue apartamento. Imaginou o que ele poderia estar fazendo e logo, teve a sensação de que algo estava passando.
Ela havia tentado ligar pra ele muitas vezes, mas ele não atendia nunca.
Nessas noites que se passaram após o encontro do dois, Jacob tinha se mostrado um um perfeito cavalheiro. Anna sorria. Como um rockstar sinistro podia ser tão legal? A verdade era que ela queria vê-lo a todo momento.
O dia todo, calcificou a hora de poder ir até ele. Colocou sua melhor roupa, fez muitos planos.
Ligou pras amigas, que não deram a minima. Tentou falar com a mãe e com os irmão, sem sucesso.
Poderia tudo explodir, Anna só queria saber de Jacob.
Ela se aprontara num instante, dado a chegada da noite. Foi verificar no espelho, pra saber o quão linda estava.
Foi no espelho que entrou em imensa perplexidade. Ela não se via. Era outra pessoa que habitava o outro lado. Um garoto pálido e triste, com uma guitarra jogada no colo. Lágrimas escorregavam por entre seus olhos enquanto ele fumava compulsivamente um cigarro. Era Jacob que estava ali. A visão a atordoou. Oque seria aquilo? Que tipo de explicação poderia se caber a esse ato?
Jacob pegou o celular, e digitou uma mensagem. Anna se esgueirou na frente do espelho para ler, e ficou absorta com seu conteúdo.
"Mais um dia, por você".

Comatose

Pois bem, é isso.
Um coma, estado transitório.
Te vejo sorrir. Nada posso fazer.
De tanto ter, a cabeça agora é explosiva.
Desligue o plugue que me faz viver.
Não sei quando chegou a aurora.
A noite veio e se foi. Cheia.
Prata rasa, ouro espesso.
Me diga uma coisa, mas com calma.
Quem somos nós?


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

(eu) Não Deveria Ser Nada

Há um conflito que revelam seres tristes e masoquistas.
Os respaldes usados com notas musicais tristes de um blues perdido, sem entoar nada.
A chuva lava os rastros de um assassinato no chão.
Talvez, mesmo que com tom taciturno, as aves voltem a cantar sorridentes.
A poesia abandona aqueles que não tem emoções lúgubres.
Deixa ao relento indeciso da luz fraca da noite.
Perceba que mesmo aos poucos, tudo se embeleza.
Não se pode viver na estrada por muito tempo.
Somos todos vidros quebrados, se abraçando e tentando se unificar.
Conhecer oque é a pureza de estar em casa, seja ela onde for.
No retorno de tudo isso, os raios da certeza irão prosperar. De novo.
As sombras também brilham no seu maior íntimo.
Não há tempo para ser feliz, desde que você saiba oque é isso.




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Anna, Do lado de Fora

A constante mudança de assunto na mesa de jantar a deixou irritada. Suas amigas sempre faziam isso. elas nunca concluíam assunto algum.
Ela virava a cara, e tomava um gole de seu suco "batizado". Sairia dali, seja pra onde for, sem saber nem seu próprio nome.
A mãe, figura quase inexistente, disse umas três vezes pra ela se cuidar. Mas isso, tinha sido há muito tempo.
Hoje, Anna sabia o que queria. Ela queria esquecer. Esquecer o que tinham feito pra ela. O que ela tinha feito pra si mesmo.
No paradoxo da noite, onde festas e orgias tomavam conta de tudo, nem mesmo as drogas deixavam ela animada mais. Todos aqueles caras mimados, que jamais teriam que mover uma palha pra se sustentar, não faziam mais efeito algum pra ela.
Naquela noite, resolvera ir à um show de rock. Uma banda muito famosa e seus ícones destroçados.
Perambulou por entre a multidão sem dar à minima a nada. A banda tocava furiosamente enquanto ela se jogava de braços em braços... Ela foi tocada por um arrepio e olhou pra o palco. O vocalista olhava diretamente pra ela, e todos perceberam. Como mágica, ela foi lançada  ao palco e tomada pelas mão dele. Ela sentiu um frio estranho vindo dele. Eles eram iguais. Nenhum queria continuar com nada daquilo. O mundo se tornara um lugar podre, e eles eram vitimas das circunstancias. Se beijaram até o solo da guitarra terminar e ela fugiu dali. O público gritava por Jacob, mas ele apenas encerrou a performance. Algo dele havia sido levado junto com Anna.
Ela correu até seus pés não aguentarem mais. Lamentou ter nascido sentou no chão sujo da rodoviária.
Não sabia o que estava acontecendo, não ouvia absolutamente nada.
Seus olhos coloridos artificialmente, encontraram aquele estranho dos olhos frios. Se entreolharam até que finalmente ele estendeu a mão pra ela. "Meu nome é Jacob, qual o seu?" disse o estranho garoto com roupas bizarras de mais.
"Anna", disse ela num sussurro quase inaudível. Eles sorriram um pro outro e saíram de mãos dadas naquela noite fria e suja.
Depois de algum tempo, o sol nascia e com ele, vinha uma pequena esperança de vida.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Jacob, o Retardatário

Olhou ao redor do próprio corpo e tentou definir o que via.
As janelas de seu apartamento no décimo terceiro andar estavam escancaradas e o vento tórrido da noite entrava tirando tudo do lugar. Não sentiu vontade de fechá-la. Não sentiu vontade de nada.
Partiu algumas pilulas e fez o seu pó fluir na mente vaga. As visões que agora tinha, eram lindas e gritantes.
Brincava com o vento e o próprio cabelo. Seu sorriso torto, dirigia-se ao espelho partido em três.
Se achava lindo, sem nenhuma luz ofuscante. Recordava de toda a musica que tinha feito, de tanto tempo que havia passado.
Nenhum rosto amigável estava ali agora. O telefone tocava, mas no fundo, quem quer que fosse, sabia que ninguém atenderia. Era tarde demais. Acendeu um cigarro e contemplou novamente o vento nas janelas.
Sabia que aquilo era bom demais pra ser verdade. Fácil demais.
De relance, viu os carros passarem a 200 km por hora nas estradas, infestadas de lixo e gente largada.
Sentiu inveja de cada uma daquelas pessoas, queria estar ali, mendigando um pedaço de qualquer alimento.
Sentiria felicidade ao sentir fome novamente. Ou simplesmente sede. Sentia-se um robô paranoico...
Abriu a carteira e uma a uma, jogou suas notas enfadonhas. Jogou os documentos, as notas fiscais, tudo fora. Abriu uma outra garrafa de vodka e bebeu um gargalo incontido. Lançou o resto pela janela, e foi reprendido por um transeunte qualquer. "Foda-se, você tem muito mais que eu".
Enquanto fazia a fumaça sair em dança de sua boca, finalmente lembrou de algo inusitado.
Resolveu adiar seu destino espatifado um pouco mais. Renegou sua falta de coragem enquanto teclava pacientemente as teclas em seu IOS. Jogou o aparelho de lado, bufou e caiu na cama King Size. Iria ser um sono pesado, de um ou dois dias. Ninguém sentiria sua falta.
Sonhou em nunca mais abrir os olhos, sentia lágrimas escorrerem dos olhos.
Infelizmente, quando acordou, sentindo-se entorpecido, nada havia mudado.
Ligou o som. "Getting away with murder" nos fones rasgantes em sua orelha.
Mais um dia, pensou... Mais um dia...