quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Para Boddah

Minhas mãos doem ao escrever.
É meio complicado com tanto sono. Estou em êxtase.
Luto a cada segundo para manter meus olhos abertos.
Uma ultima linha e me vou. Só mais um pouquinho.
Não vou te encher com a mesma merda que venho há 23 anos.
Lamentações sem fundamento. Essa minha falta de talento em tudo.
Será que vou acordar? Será que alguém vai estar ali, pra se importar comigo?
Aposto que sei o que vão dizer. Talvez alguém se lembre de mim.
Essa maldita dor que não passa. Esse sono que me destrói.
Não lembro quantas pilulas tomei, nem se devia beber com tanta vodka barata.
Meu corpo está completamente dilacerado, mas eu não ligo.
Agora que sou velho e chato, posso me odiar como eu odiava os mais velhos.
Posso cuspir as palavras ao vento só pra elas voltarem todas pra mim.
Eu sinto muito, mas não por morrer. Não mesmo.
Sinto pelas vezes que eu poderia ter feito melhor, ter feito mais.
Não custava um abraço antes de eu sair.
Um sorriso para os esquisitos. Um aceno para a turma da pesada.
Era eu, o pior de todos eles. O mais feio, o menos ilustre.
Uma sátira de personagens mortos, quem diria.
Eu magoei muita gente, assim como fui magoado.
Mas não ligo. Não agora. Não com essa Fome engolindo meus desejos.
Vou me confundir em pensamentos bêbados e indignados.
Deixar todas as feriadas a mostra. Essa emoção doentia.
Quando eu finalmente fechar os olhos, devo descobrir a verdade.
E pra Você, todo o amor que já tive. Toda sorte que não tive.
Sairei sem aceno, sem despedida. Você não vai me ver sofrer.
Afinal, não é assim que terminam todos os dramas hollywoodianos nesse mundo?



1 Confessaram:

TaTa disse...

Ah, seus dramas tão verdadeiramente fictícios.
Eu quero estar ao seu lado, aqui, nessa loucura de fantasiar a realidade.

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