sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sid

Sid era um garoto normal. Não era inteligente e era tão maleável quanto possível. Ele confundia amor com paixão. Não saberia nunca diferenciar o que sentia pelas pessoas. Tinha um melhor amigo que era diferente dele aos extremos. Tinha tudo que ele queria ter, inclusive amor. Pelo menos assim pensava.
Seus amigos o tratavam bem, mas nunca passou disso. Talvez, nenhum deles seria capaz de fazer por ele algo que mudasse sua vida, mesmo que quisessem. As pessoas que o viam com frequência, diziam que ele era um perdido, que nunca seria ninguém na vida. 
Pobre garoto, que farto de tudo que havia lhe cercado, agora buscava a felicidade na obediência.
Sentia-se deslocado de tudo e todos. Sempre se imaginava como outra pessoa, e sorria. Teria prazer em ser outro alguém.
Seus pais vivam em constante brigas. O amor deles estava demasiado frágil pra suportar a adolescência do filho, junto com seus próprios problemas. Simplesmente fingiam não ver que ele estava apagando aos poucos, por vontade própria.
Ele conhecera uma garota. Tão louca quanto ele. Mas ela sabia da vida, diferente dele. Ela estava apaixonada por ele, mas ele não tinha olhos pra ela. A verdade é que ele não iria admitir que a amava. O que diriam seus "amigos"?
Deixaria que ela queimasse seu amor nos braços de outras pessoas, porque julgava assim ser o melhor.
Ele iria antes, sentir um vazio imenso dentro do peito, para só então começar a admitir a verdade. Queria ela. Sua companhia, seus abraços, beijos e palavras de conforto. Mesmo que essas não fizessem sentido as vezes.
Mas isso não aconteceria antes de muitas tragédias. Mortes, perdas irreparáveis, auto-destruição...
Iria estragar tudo inúmeras vezes. Chegaria a desistir de tudo.
E somente um dia, quando o tempo fosse favorável, iria procurá-la.
Claro, que como todo garoto bobo, que resolve ser o herói de ultima hora, precisaria de um empurrãozinho.
E teria. Teria apoio pra ir atras do seu amor, mesmo que não adiantasse mais.
Mas tudo faria sentido pra ele. Eles seriam a  razão um do outro.
Não importava se hoje, ou amanha, ou ainda depois. Queria estar ali, do lado dela.
A verdade, é que Sid sempre precisou dela. Só não sabia que essa "ela", um dia realmente existiria.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Para Boddah

Minhas mãos doem ao escrever.
É meio complicado com tanto sono. Estou em êxtase.
Luto a cada segundo para manter meus olhos abertos.
Uma ultima linha e me vou. Só mais um pouquinho.
Não vou te encher com a mesma merda que venho há 23 anos.
Lamentações sem fundamento. Essa minha falta de talento em tudo.
Será que vou acordar? Será que alguém vai estar ali, pra se importar comigo?
Aposto que sei o que vão dizer. Talvez alguém se lembre de mim.
Essa maldita dor que não passa. Esse sono que me destrói.
Não lembro quantas pilulas tomei, nem se devia beber com tanta vodka barata.
Meu corpo está completamente dilacerado, mas eu não ligo.
Agora que sou velho e chato, posso me odiar como eu odiava os mais velhos.
Posso cuspir as palavras ao vento só pra elas voltarem todas pra mim.
Eu sinto muito, mas não por morrer. Não mesmo.
Sinto pelas vezes que eu poderia ter feito melhor, ter feito mais.
Não custava um abraço antes de eu sair.
Um sorriso para os esquisitos. Um aceno para a turma da pesada.
Era eu, o pior de todos eles. O mais feio, o menos ilustre.
Uma sátira de personagens mortos, quem diria.
Eu magoei muita gente, assim como fui magoado.
Mas não ligo. Não agora. Não com essa Fome engolindo meus desejos.
Vou me confundir em pensamentos bêbados e indignados.
Deixar todas as feriadas a mostra. Essa emoção doentia.
Quando eu finalmente fechar os olhos, devo descobrir a verdade.
E pra Você, todo o amor que já tive. Toda sorte que não tive.
Sairei sem aceno, sem despedida. Você não vai me ver sofrer.
Afinal, não é assim que terminam todos os dramas hollywoodianos nesse mundo?



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

De Quinta

O mundo é estranho e confuso.
A cada tentativa, você se enebria um pouco mais.
Suas tentativas, te levam, ao acaso as duas maiores verdades que existem.
Vida ou morte, morte ou vida.
Andam juntas, mas sempre se separam.
Uma lida com o que você acredita ser lindo, belo.
A outra, pobre injustiçada, lida com o que você diz ser o caos, o fim.
Todos nós aceitamos a inversão de valores propostos pela televisão.
Fácil, vulgar e engraçado.
Mas não podemos nos dar ao luxo de pensar por um minuto sobre a morte.
Você sempre diz que ela é ruim. Você sempre julga que sabe tudo.
Quem é você?
A morte é a comunhão com o seu espírito supremo. O nirvana
Sentir dor é melhor que não sentir nada.
Viva o mundo! Viva a dominação!
Mas todos nós sabemos que ele já acabou.
Todos sabemos que não podemos mais lidar com oque fizemos a ele.
Eu fico com o amor, e aproveito até o dia da morte.
Não a morte do amor, porque ele jamais morre.
Mas a minha, que começa e termina a cada minuto que vivo.