sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Outra (não) Despedida

A mesma tecla de sempre é pressionada com força. 
Rupturas na rede, fazem pensar o que congela a alma.

O garoto sorria para a T.V. enquanto ouvia as grandes risadas da família.
Casos e acasos. Exames de paternidade, notas de beleza, repentes inusitados.
Ele continuava com um sorriso no rosto. Estava tudo bem pra todo mundo.
Talvez alguém tenha percebido, mas achou melhor saber o resultado do novo reality show.
Que diferença faz um sorrisinho falso de uma criança? Ele que se acostume com o mundo.
Mas quando a T.V. desliga, os jogos acabam e o time da casa perde, as pessoas tem que "se" ouvir.
Com a cabeça no travesseiro, elas enganam qualquer um, menos a si mesma.
É nessa hora que o sorriso é desvendado e que a lágrima salga.
Vão dizer que foi um erro. Vão dizer que sentem muito.
Alguém, gaguejando e tremendo, vai se perguntar onde foi que errou.
Talvez a culpa seja da sociedade, que nos enfia as coisas goela a baixo.
Pode ser que a culpa seja do nosso sistema, que vende o ar que respiramos.
Pode ser nossa, inclusive, por "comprar" esse ar.
Quem sabe não exista um culpado...

Devagar, a porta se fecha. Mais uma alma se vai.
Agora, é se contentar com o barulho e a sujeira.
Ele, por sua vez, não teve culpa nenhuma.
Que bom que se foi antes de se tornar mais um vilão.

1 Confessaram:

Ana Luiza Cabral disse...

Palavras que cravam os olhos. Gosto assim.

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