quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

23

Ele veio, como a cegueira. Nunca esperou por ninguém. Agora, não é diferente.
Todos os lugares que olho, eu vejo. Conto números, junto nomes, rabisco daqui e dali.
É sempre o mesmo progresso (regresso). Nada muda, nada evolui. Eu sou sempre o mesmo.
O tardio amor, próprio ou não, me rega com o que tem. Faço disso meu regojizo.
Levanto para o céu (paraíso não) e jogo minha alma ao levante.
Certas vezes, quando eu alcanço a soma, me perco em espelhos jogados.
Um caco que cisma em entornar meu copo.
Coisas boas acontecem com todo mundo, sem distinções. Cabe à nós saber quando elas vem.
Com meus pés e com nossos sentimentos, construo o agora.
Nenhuma lei vai impedir de nos aproveitarmos ao máximo.
Faça as contas, quanto dá a soma de suas vidas?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Quarto e o Quinto

A dor que vem com o amor.
Infame memória que me persegue.
Cada cristal jogado no chão, como uma boneca usada.
Nenhuma sujeira à ser escondida.
Retribuo o que me espelhas, mas não uso a morte pra isso. Não posso.
Busco força de outra entidade, uma da qual você não entenderia.
A fumaça envolta com o verde claro, criando uma sombra do que se foi.
Nunca saberás o que desperdiçou.
A cicatriz que deixou, jamais irá curar.
Pode ser até que num amontoado de boas recordações, ela te perdoe.
O problema maior, é o que ela não irá dizer.
O que será que ela guardou dentro do peito?
Algum segredo que levará pra sempre, junto com algumas boas fotos.
Já sei o que eu vou ter quando meu corpo não mais me pertencer.
Você faz ideia? Não. Talvez. Tanto faz.
Também sinto muito, mas as escolhas não devem ser feitas por mim.
Que o julgamento alado percorra todo o céu.
Que a brasa que consome minha alma, seja enfim liquidada.
Dói saber, que mesmo sabendo que você não se importa, ela sempre vai te amar...