sábado, 29 de dezembro de 2012

Pandora Box

Você dirá que seu remédio sumiu.
Mas se você perdeu ele de vista, não era importante.
O mundo está azul e amarelo. Nada será igual agora.
Não se acha nada, quando se procura as cegas; As coisas acontecem.
Você será encontrado. Deixe que seja.
Tem uma caixinha escondida. Nela cabe tudo.
Mas tome cuidado pequeno! O que vai guardar nela?
Seria ela aberta, causando desespero? Ou alegria?
Pandora pereceu. Ela era eu. Ela era você.
Nos não pereceremos. Ficaremos juntos.
Temos um ou outro, e por mais que falte algumas coisas, nos bastamos.
Nada poderá desfazer essa verdade.
Sabe porque? Simples, isso não foi escolhido.
Eu e você, simplesmente aceitamos...

domingo, 23 de dezembro de 2012

Crônicas de um Apaixonado, Pt4

"- A quanto tempo filho. Como vai sua estadia nesse mundo? Espero que esteja bem, entenda. Eu jamais te expulsei, Você foi por vontade própria. E agora, o que tens? Creio que já sabe a resposta. Mas, também tenho pena de você. mando-te um ultimo presentinho. Espero que goste. Com amor, Seu Pai."


Dor. Era tudo o que eu sentia. Vozes, cheiros, visões. Tudo parecia irreal demais, triste demais. Me sentia seguido e a cada passo, poderia jurar que tudo isso era em vão. Como meu toque te traria de volta? O que estava te guardando? Sabe, eu não podia acreditar que não faziam cinco minutos que estava ali e já não tinha esperanças...
Senti o cheiro de enxofre ficar mais intenso. Uma criatura estava parada diante de meus olhos. A saliva escorria por sua boca, mas não chegava ao chão; Ela evaporava com o calor daquele lugar. Seus olhos me encontraram e não pude deixar de perceber a dor, a angústia. A sensação que tinha era que aquilo era um simples boneco. Sua voz encheu o lugar. Eu me concentrei para não cair:  "- Em vão. Toda essas suas brincadeiras terminam aqui. Você, não tem o direito de estar aqui, mas, façamos uma troca. Responda a minha pergunta, corretamente, e te levarei pro lado de sua doce amada." Eu não sabia o que dizer. Minha voz falhou e ele tornou a falar: "- Filho da vida, caído da terra. Você se acha forte e esperto suficiente para vir aqui. Minha questão é simples, e sem rodeios. O que te suga até o fim, e quando quase te mata, ele te dá  forças de novo? Vamos, responda à mim." Eu travei. Como um músico envergonhado diante sua platéia. O que seria? Pensei nas palavras que me trouxeram até ali, pensei em como poderia eu, te trazer de volta. Te fazer feliz. Eu sabia. Gritei o mais alto que pude, e vi a destruição nos olhos da fera. "AMOR". Ele se desmoronou e se juntou aos corpos mutilados no chão. Aquilo não era somente uma palavra, era poder.
No mesmo instante, vi-me diante de um trono. Um lugar escuro e sujo. Vi você, amarrada e com aquele mesmo olhar doentio. Eu mataria para tê-la de volta.
Foi quando eu vi um anjo descer das escadarias e conversar comigo: "- Então, você veio por ela? Muito bem, você sabe que ela é minha. Seu corpo não é tão importante, afinal, logo se desmanchará. Mas sua alma... Ah! Que gosto delicioso! Tem certeza de que não quer outra coisa? Dinheiro, fama, habilidades? Ou tudo isso? Devo fazer um belo pacote e te mandar de volta? Vamos, caro vassalo, é isso que deseja?"
Vassalo? O que ele quis dizer? Eu queria você. Um toque, ele tinha prometido. Um toque. "- Não quer nada disso, não é? Você quer ela, certo? Mas isso, não posso te dar. Não quando sei o que ela é. O que, não me diga que o papai não te falou? Claro, a parte boa ele deixou pra mim! Muito bem, isto ficou interessante... Já ouviu falar sobre um messias que iria salvar seu povo, e liderá-lo diante do meu poder? Pois bem, ele não é um homem meu querido. Ele na verdade é ela. E disso eu não devo abrir mão." O anjo se calou, assim como os meus pensamentos. Eu sabia agora quem ele era. Mas minha amada, era a salvadora do mundo. Ele tinha a faca e o queijo na mão, e eu, era somente uma pequena formiga diante seus pés. O desanimo me inundou, nenhuma palavra vinha à mente. Eu jamais poderia tê-la, mesmo que a salvasse. Ela era algo mais. Meu amor nada era diante do destino que estava por vir. Toda uma raça dependia dela e eu não podia fazer nada...
"- Como você é quieto. Está me chateando, devo acabar com sua pequena existência, não! Vou manter você aqui, para ver como irei destruir seu corpo. Sim! Irei comer a carne dela diante teus olhos, irei deflorá-la. Ela vai ter desejado morrer. Imagine a vergonha dela, de ser submetida a tudo isso na sua frente... Lindo não? E acredite, tenho muito tempo. Iremos nos divertir e eu ainda ganho de brinde, uma aposta feita eras atrás..." O céu negro começou a se rasgar. Vi apenas uma luz entrar e chegar perto de mim. Os olhos do anjo tremeram levemente, mas ele apenas sorriu. A pessoa que estava na minha frente se ajoelhou diante de mim e falou com um tom tão passivo, que me embriaguei lentamente: "- Perdão meu irmão. Nunca foi minha intenção tomar sua vida". Era o meu assassino, o homem que eu perdoei. "- Como ultimo instante, deverei pagar meu débito. Saiba que só o deterei por um breve período. Foi me concedido muito pouco, mas devo dar tudo a você. Essa é nossa melhor chance." A determinação dos olhos dele me deram forças pra levantar. Enquanto ele correu para atacar o anjo, eu corri para minha amada, sem olhar pra trás. O anjo gritou palavras incompreensíveis para meus ouvidos. Mas eu toquei seu rosto. Seus olhos ficaram tão brilhante e cheios de vida que toda a dor se foi. Todo o medo já não mais existia. Finalmente, seriamos felizes. O mundo agora, teria uma nova chance. Mas parece que o anjo leu meus pensamentos. "-  Tolo. Tsc, tsc, tsc. Você é um belo vassalo. E você", disse apontando para a pessoa que antes era meu assassino, "-  Você é uma cobra. Não disse a ele, disse? Aposto que não disse que ele deveria trocar de lugar com a messias. Claro que não. Temeu que ele recusasse. Seus malditos! Farei das suas almas minhas empregadas pessoais. Vocês sofreram mais do que qualquer outra alma!". O anjo enfurecido me jogou pra longe e a dor começou a voltar. A cegueira tomou conta de mim, e tudo que eu via era sofrimento. Estava enlouquecendo. Nenhum pensamento me trazia de volta. Pensei nela, em tudo que vivemos. Pensei que eu era apenas uma moeda de troca para o criador. Nada mais importava. Tudo agora era dor e agonia. Meu mundo estaria a salvo, talvez. Mas o meu destino estava certo. Eu iria parecer para sempre, naquele fogo maldito que jamais cessava...

"- Onde estou?" disse a menina com olhos arregalados. "-  Está em segurança. Entenda, você era importante demais."Falou o homem que parecia o dono de toda a bondade que existia. "- O que houve com meu amor? Onde está ele? Preciso ouvir sua voz...". Ela estava trêmula demais. "- Mas não vai. Ele se sacrificou por você. Agora, sua alma está despedaçada no inferno, como a sua antes estava." Ouve silencio e os dois se encaram por muito tempo.
"- O que eu sou?" Perguntou ela, quase em suplica. "- Você é uma das muitas de minhas filhas. Todas jazem no inferno, sobre o comando de meu filho ganancioso... Não podia perder você. É a unica chance de salvar os humanos. Não diga nada, agora você não entende, mas um dia tomará a escolha certa. Adeus de novo, minha doce e amada filha. Que teu nome seja gravado nas costas da senhora destino. Que dessa vez, ocorra tudo bem. Eu não aguento mais essa guerra". Finalizou o homem com a voz calma e inabalável.


A noite era escura e fria. O homem segurava a mão da esposa e dizia que tudo ficaria bem. A mulher dera a luz à uma linda menina. Era como se o mundo todo se abraçasse de alegria.
A felicidade do marido e da esposa, era infinita. Ali, naquela garagem abandonada, nascia a criança que iria um dia salvar tudo e todos.
Mas talvez, não fosse tão fácil assim...
"- Perdão meus amigos, mas essa criança não mais pertence a vocês."  O estranho na porta acenara e três homens fortes levaram a menina das mãos da mãe. "-Tenha piedade!" Gritou o marido.  "- Sim, eu terei. Vassalos". Disse o homem. Ele olhou para um de seus homens e apenas balançou a cabeça em afirmação. "-  Mate os dois ao mesmo tempo. Seja breve, hoje estou de muitíssimo bom humor." Dizendo isso, o homem saiu deixando o marido e mulher em prantos. O capanga erguei a arma para atirar e apertou o click do gatilho...          



                                        Continua...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Cupido

Deixe guardado, o gosto que não te esqueces.
É tempo de tudo, amor.
Não vá embora, fique com suas mãos dadas as minhas.
Faz o doce sabor da alma transbordar.
Me pede um beijo, um carinho.
Sorria de verdade pra mim. Me toca sem pudores.
Olhos fixos na vida, que passa tão rápido...
Use novamente a magia que tens, um elo perdido que encontramos.
Deixe que adivinhem, sem ao menos ter certeza.
Nada pode desfazer nossos laços.
A certeza de que o amanhã virá, não pode se tornar falha.
Uma faísca de uma estrela, pode acabar com um mundo de dor.
Se existem metades e almas gêmeas, você sempre foi a minha.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Suicide Note Pt2

Ninguém o faz deixando rastros.
Não alguém que o queira fazer.
E o sonho sempre vem.
Sentido encontrado no mais insípido olhar.
Purifique minha alma antes de me deixar partir.
Abrace esse corpo desolado pelas mentiras do mundo.
Nascer, consumir, morrer.
Me mostre a unica verdade que tem acontecido realmente.
É o que me faz continuar.
O sangue... O sangue...
Retira esses pensamentos, por favor.
Me sufoque com suas mãos, mas me deixe ter a honra.
Eu sei que é injusto, mas a vida é o que é.
Coração aberto, com uma pequena lâmina afiada.
Não me deixe sozinho por hoje.
Preciso do teu consolo.
Continua a me ajudar com o tem feito.
Não mude amor...
Deixe que eu limpe tuas lágrimas e que você limpe as minhas.
Me desculpe por não ser tão forte quanto você acha que sou.
Você tem o meu coração. E tudo mais.
Que seja uma declaração, invisível.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Outra (não) Despedida

A mesma tecla de sempre é pressionada com força. 
Rupturas na rede, fazem pensar o que congela a alma.

O garoto sorria para a T.V. enquanto ouvia as grandes risadas da família.
Casos e acasos. Exames de paternidade, notas de beleza, repentes inusitados.
Ele continuava com um sorriso no rosto. Estava tudo bem pra todo mundo.
Talvez alguém tenha percebido, mas achou melhor saber o resultado do novo reality show.
Que diferença faz um sorrisinho falso de uma criança? Ele que se acostume com o mundo.
Mas quando a T.V. desliga, os jogos acabam e o time da casa perde, as pessoas tem que "se" ouvir.
Com a cabeça no travesseiro, elas enganam qualquer um, menos a si mesma.
É nessa hora que o sorriso é desvendado e que a lágrima salga.
Vão dizer que foi um erro. Vão dizer que sentem muito.
Alguém, gaguejando e tremendo, vai se perguntar onde foi que errou.
Talvez a culpa seja da sociedade, que nos enfia as coisas goela a baixo.
Pode ser que a culpa seja do nosso sistema, que vende o ar que respiramos.
Pode ser nossa, inclusive, por "comprar" esse ar.
Quem sabe não exista um culpado...

Devagar, a porta se fecha. Mais uma alma se vai.
Agora, é se contentar com o barulho e a sujeira.
Ele, por sua vez, não teve culpa nenhuma.
Que bom que se foi antes de se tornar mais um vilão.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Suicide Note pt 1

Ele descansou o pulso cortado sobre a mesa.
Sua cabeça flutuava com a demência de um sociopata.
Nada era nítido, mas ele estava bem.
Resgatou algumas poucas cenas que agora faziam sentido.
Não ligou pra nada por um momento. Nem pra si mesmo.
Enquanto o liquido da vida escorria, sentiu as lágrimas brincarem com ele.
O sorriso que tomou conta agora, era puro e verdadeiro.
Acabou. Finalmente morreria, pensou.
Fez um ultimo pedido. Mandou um ultimo beijo.
Aos poucos, fechou os olhos, grato ou não.
Acordou, mas temia aquela cena.
Aquele sonho repetido constantemente.
Sabia que dentro de seu sub-inconsciente, ele era capaz daquilo.
Papéis memoráveis talvez, sejam a unica coisa que deixou pra que lembrassem dele.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Apologize

Vai faltar luz nesse quarto escuro.
Deixe que falte, inclusive o ar.
Não importa mesmo.
O único consolo que tenho, você sabe bem qual é.
Erros repetidos, futuros destruídos.
Calmaria com sede de sangue.
Nunca há intenções negativas.
Não adianta dizer bem alto o que não acredita de verdade.
Deixe que entre o vento. Deixe que ele destrua nossas convicções.
Deixe que o fogo nos queime e nos leve junto às cinzas.
Deixe a água nos lavar e criar novos horizontes.
Jogue a terra por cima dos nossos antigos "egos".
O que acontece comigo, acontece com você.
Te amo e me desculpe por ser o furacão quando você precisa de calmaria.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Afinal

Pegue o assassino que está em mim.
Use-o impiedosamente;
Faça que saibam a diferença entre dor e felicidade.
Grite aos ventos que sabe o que quer.
Destrua as sensações que escuta sem sentido.
Não sabem o que é.
Só dói em que vê.
De perto, do lado de dentro.
Respire o quão fundo conseguir,
Tire as ataduras que cobrem seu pulso.
Pule de onde está sua base.
Jogue pra mim seu coração.
Deixe que meus braços fiquem gigantes pra você.
Novamente, somos só nós dois.

domingo, 16 de setembro de 2012

Sem Encanto

O escuro esmaga as paredes ao seu redor. Agonia.
Nem um mísero sinal de nada vivo; Nem mesmo ele.
Leva os olhos para todos os ângulos, quer tentar entender.
Não há fumaça ali, não há cheiro algum. Exceto um. O do medo.
Impossível dizer se chegou de repente ou se foi num estalo.
Não saberia dizer. Não agora com seu mundo encolhido.
Ele era tão gigante e agora se sente minúsculo...
O sangue parece frio, surreal. Algo novo ali.
Ascende a luz e tudo some. Do lado de dentro, continuava irrequieto.
Com o corpo trêmulo ele coloca as mãos naquele livro.
Vai tentar deixar a magia o consumir novamente.
Precisa disso agora, precisa de algo que o faça acreditar.
Não quer que esse frio permaneça rodeando ele.
E lá fora, está tão quente...
 

sábado, 15 de setembro de 2012

Recado Repetido

As horas travam uma batalha épica contra o relógio.
Não era assim há tanto tempo... Estou completamente perdido.
Me afogo no próprio ar ao tentar controlar essa dor. Não está certo isso.
Sua presença faz tanta falta aqui, que não sei mais das outras coisas.
Nada que eu faça, vai me distrair. Não há nada que eu queira fazer.
Visualizo o que me faz sorrir e deixo minha mente sonhar.
Meu egoísmo grita alto pelo seu nome, mas isso também não é justo.
Não com você. Você precisa disso. Não faria se não precisasse, faria?
Novamente, me deito pra dormir, rezando pra que quando eu acordar, você esteja aqui...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sustenido

Olhem como ele é lindo! Ressentido e culminado.
A sensação mais real que existe, sem poder conter ou mentir.
Ele te corroi, mas você o quer. Sangue derramado.
Veja ele agora mesmo, olhe para as tuas mãos.
Não achará nada aqui. Não tem salvação.
Castigue-o anjo negro.
Mais que nunca, o cheiro o contamina.
Selado com o que não se cita.
Num sonho anestésico, lendo o seu livro favorito.
Amigos que não sabem nem meu nome estão dançando comigo.
Foi fácil entrar, agora te mata, não é?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ânsia

Enquanto deixo meu corpo se deteriorar, tento cuidar da minha alma.
Alma essa que um dia acreditei não possuir.
Recito pensamentos insanos, que raros fazem questão de ouvir.
O que se passa agora, fora a voz que já não aguenta mais gritar, é um filme em preto e branco.
Infame como qualquer outro, mas nenhum pouco previsível.
Estou completamente cego, mas sinto as coisas mais fortes agora.
Vou deixar que esse buraco negro engula a todos.
Cada sentimento que for jogado no chão, terá oportunidade de existir.
Somos todos bonecos num grande jogo monopolizado.
Sempre, alguém ganha e outro alguém perde.
O que restar disso tudo, continuará sendo teu.
A raridade que carrego. Nada foi planejado.
Isso agraciamos todos os dias.
Tatuagem não é somente tinta.
Eu conheci meu amor antes mesmo de ter nascido.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

In Pain

Força irrelevante e doença mortal.
Rasguei todos as minhas veias, mas agora, não posso consertar nenhuma.
Analgésicos não fazem efeito algum.
Nenhum sorriso me cura.
Implanto na mente memórias agradecidas várias vezes.
Tento ouvir o que eu sempre quis.
Balbucio bem devagar o nome.
Esta tudo escuro. Cegueira permanente.
Enquanto deixo escorrer a vida, finalmente posso ouvir.
"Obrigado".

Não te abraço, morte

A espreita de sua cama, estava toda contente.
Tinha agora, outra vitima escolhida. Uma que não cabia no mundo.
Escolheu precisamente suas armas e começou o desfecho.
Parecia que seria fácil, mas aos poucos, foi se vendo uma batalha começar.
Pensou que poderia obter ajuda, mas queria toda a glória.
Fez sentir a dor jogar-se em todos os cantos. Sorriu com luxúria ao ver resultados.
Nenhuma tentativa estava funcionando do outro lado. A vitória estava garantida.
Sangue num copo sendo servido como vinho. Êxtase.
As fotos foram apagando-se aos poucos. A alegria dela foi acabando.
Agora era hora de partir. Seu trabalho estava feito.
Era esperar enquanto trabalhava em outra dimensão.
Talvez, sobreviessem aquilo.
A verdade é, que poderiam sim, sair ilesos dela.
Bastasse que ambos quisessem.



terça-feira, 17 de julho de 2012

Sangue



Disse para os ventos se calarem. Músicas não falam mais por mim.
Na hora secreta que fugia todos os dias, agora enche a cabeça de vida pensada.
Perguntas e respostas medidas no ato. Nenhuma solução me agrada.
Coração tenso, cheio de fotos que se foram. Pode até ser chuva de temporal...
Um lago formado por tudo aquilo que não somos.
Desistir de indagar sempre. Resistir ao tempo longe.
Pernas quebradas, braços cruzados. Grito o mais alto que consigo.
Essa correria de gotas incontáveis, ameaçando me dissipar.
Um tracinho escarlate surgiu, somente em outra realidade.
Não posso me conter, nada poderia matar isso aqui. Daqui.
Deixe que minhas asas te envolvam mais uma vez.

domingo, 8 de julho de 2012

Não Dito

Deixem queimar no ardor do dia ou da noite,
Passos esquecidos por correrem tão juntos.
Quisera matar toda agonia sentida,
Retorcer por dentro uma alma calada.
Candura do "limbo" que se misturou as cinzas,
Do lado de dentro do peito pra gritar.
Rasuras escritas na mente,
Ventos sujos ocultando tudo.
Nada apagaria a lembrança feita,
O amor vale muito mais.
Seja qual for o teu direito,
Abra o coração pra sentir.
O simples e o complexo,
São os mesmo no final...


sábado, 16 de junho de 2012

Um Sábado Qualquer

Ele abriu os olhos calmamente e aos poucos foi acordando de um sonho bom. Notou que não estava só, mas não sabia quanto tempo havia passado. A garota que estava ali tinha os cabelos curtos e vermelhos como o sangue. Ele sorriu. Ela deixou escapar um pequeno sorriso, daqueles que quase não saem. Ele reconheceu a si mesmo ali. Parecia que tudo estava no seu devido lugar. As paredes que os cercavam eram ricas em cores e cheias de decorações fantásticas. Corujas, cofres, caixas, bonecos e tudo o que podia se imaginar. Dois leões encaravam qualquer um que ali estivesse. Ela adora leões. Tanto, que as vezes, ele sentia um pouco de ciúmes por não saber do que ela sempre lembrava. Ali, naquele lugar particular -Um dos poucos que compartilhavam à sós- eles eram o rei e a rainha. Dividiam tudo e tanto, que nem havia distinção do que era de quem. O amor representado em cores, sabores, cheiros, vontades e desejos. A cada nova cena, realçavam o que sentiam. O mistério e a vontade dos dois, exalavam um cheiro quase que divino. Os deuses que reinam sobre qualquer lugar, sentiram gosto em apenas observar. Deixaram então que suas criações se unissem mais uma vez. Talvez eles nem existam mas continuavam a olhar. E lentamente, eles se levantaram. Beijaram-se docemente e deram um sorriso juntos.
Se amaram e deixaram que suas vidas continuasse interligadas, com pequenos fios de alma. Indestrutível.

terça-feira, 5 de junho de 2012

(a)Gravando

Falando simplesmente a verdade; nunca saindo da realidade.
Danos exaustos onde não se vê; duvidas incertas perguntando porquê.
Crenças destroçadas na lama; mundo sucumbido na cama.
Não chego perto de ser talentoso; digo precipitadamente respeitoso.
Jazo sem menos tentar; minha luta não há quem ganhar.
Restos de plumas simples em-vão; um guerreiro verdadeiro sempre termina no chão.
Grave na memória; traga uma boa história.
O fim de quem não crê em nada; uma triste e amarga estrada.
Saiba que tem o direito que quiser; para qualquer um dizer.
O amor evaporará suas dúvidas; enchendo tudo com diferentes dividas.
O dinheiro que não compra isso; a real beleza de um compromisso.
Termino com palavras rasas;  nenhuma mão para crer em minhas asas.
O amor é simples; basta não terminar com rima alguma...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Fenda

Desisti das minhas asas de demônio.
Tentei criar um único lugar, onde eu fosse digno de minha própria companhia.
Cerquei meus sentimentos num circulo, e os queimei com o fogo da aurora.
Nada que reproduzi me doeu. Abstive de tudo, em pouco tempo.
A lua veio clarear, e com ela o poder dos reis.
Tentei me avaliar ao usá-lo;
Sabedoria nunca foi meu forte.
O esquecimento jamais me abraçou.
O amor sempre me sorriu.
Tornei-me aquilo que não sei o que é.
Fiz todos felizes, e dei todas as respostas.
No final, eu fui o único a realmente morrer.

sábado, 14 de abril de 2012

Dia do Beijo

Encobri meus passos, feitos pra durar.
Rastejei feito uma sombra, buscando um resposta pra isso.
Inútil como minhas queixas retóricas, decidi fechar-me.
Nada trará a luz de volta.
Como no fundo do poço, resgatei em vão minhas memórias.
Um dragão agora está abrindo suas asas, tentando dizer alguma coisa.
Suas palavras não tem sentido e eu deixei de acreditar em mim mesmo.
Que venham todos esses sentimentos mistos, que degenerem ou não.
Eu sou apenas mais um, igual a qualquer outro.
Mas pelos meus olhos, eu vejo a verdade.
Se hoje te amo, é na esperança que possa sentir o mesmo.
Nunca deveríamos ter deixado o carinho pra outra hora...

sábado, 7 de abril de 2012

Pedido(mesmo que em silêncio)

O medo toma conta de nós, enquanto revemos o passado.
Pensando no futuro que não existe ainda, atitudes raivosas.
Inteiros despedaçados no meio de cacos no chão.
O que houve? Onde perdemos  a liga?
Não sei agir assim, ignorando.
Tu ages normalmente, eu te invejo.
Meu corpo grita pelo teu e parece que somente você não ouve.
As queixas que temos, retratam o que antes era glória.
Te amo, sem limite algum.
Tanto e mais ainda.
Ame-me também hibisco azul.
Faça com que eu sinta alegria em ver o nascer da lua.
Me deixe com vontade de ser tudo o que posso.
Permita que essa luz imensa que nos rodeia, volte a brilhar.
Meus olhos jamais mentiram em momento algum para os teus.
Seja minha por inteiro, da mesma forma que eu já sou teu...

sábado, 31 de março de 2012

Coisas Pequenas (Frágeis)

Corro junto com os quatro, mas não luto por eles.
O mundo já está errado demais e não precisa de mim pra piorá-lo.
O cansaço que predomina sobre nós, não é nossa culpa.
Não sou tudo que você imaginava, mas acredite, me esforço.
Meu amor foi pego naquela noite regada a álcool.
Eu acredito nele mais do que qualquer um acreditaria.
Não sinto meu rosto em chamas quando penso o contrário.
Minhas pernas não correriam pra outro lado.
Flores que saboreiam de encantos, exalam tantas coisas.
As reações de ambos, sofrem mudanças.
Me tens como queres, e isso me assusta.
Não me quebre, é tudo que te peço.
Divida comigo, seja lá o que for.
Te amo com tanta intensidade, que chega a doer.
Que a inveja do mundo, não caia sobre nós.
Que nós não deixemos isso acontecer.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Cosmos

Ela está deitada em sua cama, refletindo sobre sua vida.
Seus olhos, fixos no nada, fazem ele se perguntar o que é.
Algo que possa chamar à atenção profunda dela. Algo extremamente interessante.
Ela responde que não é nada, mas volta aos seus devaneios.
As reflexões que ela diz não fazer, mexem e abalam o corpo imóvel dele.
Opções infinitas se esbarram no ar.
Como uma ciranda de cores, os olhos dela continuam a tremer.
Sussurra em silencio, poucas palavras. Inaudíveis.
Com um beijo, ela se despede e adormece.
Durante um tempo, ele fica tentando imaginar o que era.
Faz força pra colocar no lugar da lua, uma outra esfera que o faça ver.
Logo, ele também cai no sono, e com o sono, vem os sonhos.
Outro mundo, com infinitas possibilidades.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Eu Tenho Sim

O meu "tudo" sempre careceu por mais.
As palavras que eu proferi, não eram tão ruins assim.
Líquidos tomados na sala, enquanto a fumaça envenenava tudo.
Nunca importei se era ou não verdade.
Tive crenças únicas, próprias e doentias.
Nos meus lábios, reclamei muitas vezes sem motivo.
Talvez eu nunca tenha tido a consciência de  aproveitar tudo.
Agora vejo nos teus olhos, esse mundo novo.
Reflito sobre as amarguras que passei e causei.
Faço de mim, o que eu sempre quis de verdade.
Cada rabisco que saiu do papel; seja para o fogo ou qualquer outro lugar.
Eu tento não dar ouvidos aos lamentos da maldade, é pura mesquinharia.
Peço que não me abandone anjo.
A brisa do vento jamais chegou a ser tão boa.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Colocando Raízes

Cicatriz que define o amor.
A ponte que toca enquanto nada faz sentido.
Coloca as suas raízes onde se possa confiar, onde se possa sentir.
Não é por que não viu antes, quem não sabia da verdade?
Muda todas as estações, faz um paradoxo místico.
Só precisa de uma proteção – à que já tem.
Nasce a cada dia, como uma gota de orvalho.
Sua vida começa pelo princípio de tudo.
Só se espairecerá, quando já não existir mais alma.
As lembranças e motivos ficam por nossa conta.
Raros sabem.
A dor, que agora marca, vai passar.
Mas eu vou querer me lembrar dela.

sábado, 17 de março de 2012

Jimmy(Ou qualquer outro)

Com o dedo no gatilho, ele atirou num clique seco. Sentiu algo estranho, revogado.
Pensou ter finalmente conseguido, mas quando ouviu a bala cair no chão, viu que tinha se frustrado mais uma vez.
Pegou as sobras dali e correu pra escondê-las. Mas pra que? Ninguém nunca deu à mínima, agora não seria diferente.
Rastejou pela sala e implorou para que seu violão tocasse outra canção. Seus olhos estavam cansados de chorar. A música o deixava calmo, mas também triste. Ele gostaria de ser forte, como outrora pensou ser. Como pensaram que fosse.
Na verdade, não passou de um truque de sua mente. Seu pecado era imenso, mas ele sabia que um dia seria perdoado. Ele almejava isso.
Um dia quem sabe, seria dado a ele a dádiva de poder morrer enfim. Ele iria finalmente se sentar em um lugar tranquilo, fechar os olhos e jamais abri-los.
Sua dor iria passar, e sua asas voltariam a crescer...
Naquele dia, o garoto percebeu que não era mais o mesmo.
Algumas dores jamais se curam, mas elas sempre te deixam  mais forte quando você se recupera.
Com "fé cega, e pé atrás" ele seguiu seu caminho, pelas encruzilhadas da vida.
Vida essa, que poderia ser bem diferente do que ele pensava.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Por que...

Por que as canções que nos embalam, contam as histórias repetidas de nossos heróis.
Por que os passos que escutamos, fazem pensar por onde andamos. Agora. Ontem. Amanhã.
Por que os risos que sorrimos, sempre nos lembram daquilo que se foi.
Por que a magia que executamos com precisão, faz sempre bem pra alma.
Por que nossa dança, realça nossas alegrias.
Por que as conversas que temos, mesmo de boca fechada, são tudo o que precisamos.
Por que a vida que temos, revela a cor de nossos sonhos.
Por que é assim que as coisas são.
Por que se eu não te trazer de volta, eu já não saberei o que fazer.
Por que as minhas tentativas são tudo o que tenho.
Por que o meu amor, claro como a neve, supera o peso das minha lágrimas.
Por que sem você, "não tem graça".

domingo, 4 de março de 2012

Sem Título

O amor dele é exaltado.
Ela sabe muito bem disso.
Ele tenta não desapontá-la.
Ela sempre tem algo sábio nos lábios.
Ele tem por ela um infinito desejo.
Ela se contradiz.
Ele é um tanto quanto comum.
Ela é uma grandessíssima raridade.
Ele faz de tudo um pouco. Nada.
Ela sabe bem o que quer.
Ele se cansou de si mesmo.
Ela também.
Ele queria a lua pra sempre.
Ela, os campos de morangos.
Ele ama, com fogo de início, com abraço de saudades.
Ela ama, como um anjo amaria suas asas.
Ele chora por não saber.
Ela chora por amá-lo tanto assim.
Agora, somente os dois podem dizer, aquilo que decidiram fazer.
Ninguém poderia imaginar, que no meio de tanto alvoroço, surgiria uma gota negra de dor.
Ninguém poderia imaginar, que o amor seria posto em cima da mesa.
Que então, sejam feitas as prioridades.
Desejo, aquilo que sempre desejei.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

23

Ele veio, como a cegueira. Nunca esperou por ninguém. Agora, não é diferente.
Todos os lugares que olho, eu vejo. Conto números, junto nomes, rabisco daqui e dali.
É sempre o mesmo progresso (regresso). Nada muda, nada evolui. Eu sou sempre o mesmo.
O tardio amor, próprio ou não, me rega com o que tem. Faço disso meu regojizo.
Levanto para o céu (paraíso não) e jogo minha alma ao levante.
Certas vezes, quando eu alcanço a soma, me perco em espelhos jogados.
Um caco que cisma em entornar meu copo.
Coisas boas acontecem com todo mundo, sem distinções. Cabe à nós saber quando elas vem.
Com meus pés e com nossos sentimentos, construo o agora.
Nenhuma lei vai impedir de nos aproveitarmos ao máximo.
Faça as contas, quanto dá a soma de suas vidas?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Quarto e o Quinto

A dor que vem com o amor.
Infame memória que me persegue.
Cada cristal jogado no chão, como uma boneca usada.
Nenhuma sujeira à ser escondida.
Retribuo o que me espelhas, mas não uso a morte pra isso. Não posso.
Busco força de outra entidade, uma da qual você não entenderia.
A fumaça envolta com o verde claro, criando uma sombra do que se foi.
Nunca saberás o que desperdiçou.
A cicatriz que deixou, jamais irá curar.
Pode ser até que num amontoado de boas recordações, ela te perdoe.
O problema maior, é o que ela não irá dizer.
O que será que ela guardou dentro do peito?
Algum segredo que levará pra sempre, junto com algumas boas fotos.
Já sei o que eu vou ter quando meu corpo não mais me pertencer.
Você faz ideia? Não. Talvez. Tanto faz.
Também sinto muito, mas as escolhas não devem ser feitas por mim.
Que o julgamento alado percorra todo o céu.
Que a brasa que consome minha alma, seja enfim liquidada.
Dói saber, que mesmo sabendo que você não se importa, ela sempre vai te amar...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ele é assim mesmo; pulsante.

E nada é meu. Tudo é interligado, misturado com cores e sons.
Raivante sopro que passa pela realidade. Desligado.
Abjeto, e ao mesmo tempo puríssimo.
A noite, quando queima sem me avisar, deixa clamor.
Cada vez que eu não percebi, uma lasca dele se quebrou.
Um brinquedo torto, que usamos quando queremos.
Fraco, porém relutante e atrevido.
Implica consigo mesmo e acha impossível a derrota.
Não possui serenidade; Se engana.
O teu prazo de validade é infinito, mas desconhecido.
Persegue o sentimento que me tens.
Como tudo que se constrói com a alma, é belíssimo.
Apenas me deixe te levar, seja pra onde for...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Mundo Escuro

Vazio e escuro contidos num desejo noturno.
As paredes se estreitam e deixam-se afundar.
Abismo profundo, irrelevante.
Alma sugada com força, rastreado com exatidão.
No escuro, todos são iguais.
Medos despojando de dor alheia. Ou própria.
Falta de pensamentos concretos, levam a perfeição.
É só um risco vermelho no pulso, inofensivo.
Priva a safira ínfima que está dentro de si mesmo.
Afinal, somos todos imortais. 
Desse jeito, sabemos que sempre vamos viver.
A escuridão sempre acontece.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Minha Estrela

Que as peças pregadas pela vida, sejam todas doces.
As poucas amargas, a gente adoça com o que pudermos.
Do outro lado da porta, somente felicidade.
Juntar os dois lados do cérebro. Emoção, razão
Esperar de pé, com as asas prontas para o uso.
Se não for, nada mais é. 
Nada será.
Impossível superar o amor.
Nenhum ódio seria tão grande assim.
"Sou grato por tudo que não tenho".
Porque sem você, nada teria nenhum pingo de sentido.