domingo, 30 de outubro de 2011

No Escuro

O livro queimou.
Suas cinzas me enegreceram e fizeram do meu peito agonia.
Cada lágrima que eu não derramei.
Cada palavra que não voltou para os meus lábios.
Cada palavra que não saiu...
Todas as vidas que eu não vivi(morri).
Eu sopro a morte dos meus longinianos sonhos.
Ela descansa em paz sobre mim.
Sua capa me envolveu e me decapitou.
Utopia.

domingo, 9 de outubro de 2011

Ele, Ela, E Suas Asas

- Sente-se aqui, vamos conversar um pouco.
- Você é tão humano...
- Porquê diz isso?
- Podemos nesse momento voar por ai. Ainda assim, você prefere se sentar pra conversar.
- É que assim, terei mais de sua atenção.
- Somos telepatas. Se eu realmente quiser, você será meu único ponto de interesse.
- Talvez, mas nesse momento, creio não ser.
- Não há nenhum mal nisso.
- É o que você diz agora.
- E não foi sempre assim?
- Não, e você sabe disso. Eu costumava a te suprir.
- Mas você supre. É que vezes, prefiro a solidão à qualquer coisa.
- Eu não sei o que dizer.
- Não diga nada. Apenas aceite.
- Ainda assim, somos nossos?
- Sim. Somos nossos, não importa como.
- Anjos não deveriam se apaixonar.
- Somos muito mais que meros anjos.
- Nosso amor é mais que um simples amor.
- Exatamente.
- Pra sempre.
- Mais e mais...

sábado, 1 de outubro de 2011

Força (quebrada)

O frio do chão me consola. Nada muda assim.
Palavras são jogadas na parede, todas na minha cara.
Retiro da alma tudo que me consome.
Volta à mim, façanha quase fácil.
Queimo a eternidade. De novo.
Os avisos insanos, repetidos constantemente.
Sem mais um par de asas, o que me resta é cair.
O caminho para a queda é tão longo quanto o do topo.
Penso, incontidas vezes, sobre o mesmo assunto.
Desenhos mal trassados, rabiscos que não vão sair da (minha)mente.
O que eu quero é simples, mas complicado.
Nenhuma imagem nas nuvens irá me salvar agora.
Não posso aceitar, não vou aceitar.