terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Crônicas de um Apaixonado

O que escorre entre mim e o chão é sangue.
Temo não poder pará-lo a tempo de te dizer o que eu queria.
Já não consigo mais olhar pra ver quem foi, mas sei que tem alguém na porta, sorrindo calmamente.
Isso não muda em nada o fato que realmente importa; o fato que jamais deixará de importar.
Sinto tudo escurecer ao meu redor. As paredes se estreitam enquanto me desligo de uma vez por todas desse mundo banal e infame.
Fez tanto sentido assim, estar aqui por tanto tempo? Ler nas entrelinhas todos os dias, enquanto a vida se esvairia tão apressada? E agora, que não mais estarei aí?
Agora, talvez um pouco tarde pra pensar, mas talvez, e somente talvez, eu ainda tenho uma chance.
Queria sentir seu calor em mim, me envolvendo com selvageria, com extremo carinho, mesmo que fosse só uma faísca silenciosa, já que não estamos sozinhos no mundo.
Peço e imploro a uma força maior, para que eu não vá agora, para que eu fique aqui, exatamente onde estou. Do seu lado. Não importando onde.
Jamais me passou pela cabeça, que poderia acontecer isso. Agora, sou só um pedaço de pano estirado no chão. Perdi minhas cores, e não tenho mais tanta utilidade.
Sinto uma escuridão entrar em mim, o sorriso desaparecer, e assim, perco toda minha consciência.
Um filme passa, numa velocidade inumana. Posso acompanhá-lo sem nenhum esforço. É como se eu tivesse nascido de novo.
Não sinto mais angústias ou medos. Tenho vontade de gritar de alegria, pra todos saberem como eu me sinto.  Livro-me do peso extra em minhas costas, todos os problemas e intrigas que sempre tive.
A palavra “Alegria” torna-se muito mais do que sempre foi.  Sinto um amor tão ilimitado, que quero dividir com você, muito mais do que sempre dividi, do que sempre tivemos.
Eu corro tão rápido em sua direção, que sinto que a terra não mais me prende. Meu corpo se tornou “vampírico”, ágil, e extremamente preciso. É assim quando abandonamos todas as coisas inúteis? Todos os sofrimentos, e só pensamos em uma coisa, amor?
No caminho, penso no que vou te dizer, Em todos os agradecimentos que te devo. Sei que te devo muito, você sempre foi minha estrela salvadora.
Não consigo me conter, quero te abraçar, te beijar, me tornar parte de você. Fazer você sentir exatamente o que eu estava sentindo.
Te vejo e me sinto em reboliço. Um estranho frio sobe pela minha espinha, mas era um bom arrepio. Gosto dessa sensação, que se acumula pelas horas que não te vejo, e explode no momento que te encontro, com aquele sorriso.
Hoje era diferente, você não estava sorrindo. Seu rosto parecia curto e regado a lágrimas. Não! Eu quis gritar. Não podia admitir seu pranto, não agora que eu estava tão feliz! Feliz por fazer parte de sua vida, que éramos os dois, um só.
Fui ao seu encontro e te abracei. Senti toda minha felicidade se apagar. Meus braços passaram direto por seu corpo, assim como você pelo meu. Eu não entendia o que estava acontecendo?
Ninguém me via, eu era apenas um espírito vago e invisível. Toquei-me e senti penas em minhas costas, como parte de grandes asas.
Sussurrei em seu ouvido, e eu juro que por um momento você parou pra ouvir. Eu disse “eu te amo linda”. “Eu quero você comigo, mais e mais”.
Assim, vi você andar e segui, sem saber qual seria o próximo destino...

1 Confessaram:

| TaTa | disse...

As palavras dançam, sem música, ao seu ritmo, despercebidas e desenganadas.
Te amo!

Postar um comentário