segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Crônicas de um Apaixonado, Pt2


Você estava sentada na cama.
Seus olhos eram tristes, ninguém merecia aquela tristeza.
Do outro lado eu. Imóvel, inerte.
Não podia fazer nada. Não conseguia fazer.
Por mais que eu gritasse, você não me ouvia.
Sei diferenciar, sou racional. Mas não sinto nada.
Tentei, até me sentir fraco o bastante pra não conseguir mais levantar.
A porta estava trancada. Do lado de fora, pessoas tentavam falar com você.
Você as ouvia, mas não respondia. Não estava a fim de nada.
Estava escuro, eu mal consegui te ver.
Relembrei por um tempo, todas as boas coisas que passamos.
Lembrei de nosso lugar especial, de nossos dias juntos, felizes.
Você sempre foi a melhor parte do meu dia. E eu, bem, eu tentava ser a sua.
Fico a entender porque, já que agora que estou “morto” você não continua com sua vida.
Não poderei tocar-te mais. Você nunca mais ouvirá minha voz, ou sentirá meu cheiro.
Estou fraco e não quero mais sentir-me assim.
Essas asas que me foram dadas não têm serventia alguma.
Gostaria poder te envolver com elas, amparar sua dor.
Infelizmente, sou um boneco sem sentimentos.
Vejo você, mas você não me vê.
Há dias que penso que vou te alcançar, que novamente poderemos ficar de mãos dadas.
Eu daria qualquer coisa por um abraço seu. Um que eu possa sentir.
Sinto-me negro por dentro. A ira e a raiva tomam conta.
Na minha cabeça, uma voz sussurra bem baixinho. É quase inaudível.
Ela diz: “Caia”. “É o único jeito de ficarem juntos novamente, pra sempre”.
Eu me forço, pra baixo, pra cima.
Eu tenho ódio, raiva, sentimentos banais.
Espere, estou sentindo? Tenho novamente sentimentos?
Você está me olhando. Seus olhos não saem de mim.
Eu chego perto e te toco. Você tenta recuar, mas não consegue.
Seco suas lágrimas com as mãos e essa sensação me inunda de alegria.
Estamos juntos de novo. Posso sentir seu coração disparado, em conjunto ao meu.
Não tenho mais asas. Nas costas, nada além de um rancor extremo. Um ódio do que não sei.
O que me importa, se agora estou com você? Posso tocar suas mãos, poso beijar-te...
Nada poderá nos separar de novo, nem mesmo a morte, já que a venci.
Somos um do outro, somos nossos.
A porta se abre, e um homem se aproxima.
Ele cheira à candura, à pureza.
Seus olhos são claros como o oceano.
Sua boca se mexe tranquilamente, e ambos ficamos pasmos com suas palavras, com seu carisma.
Mesmo sem entender aceitamos o que ele diz.
Ele disse que tudo tem um preço, e que agora, seremos ambos caçados.
Pra sempre. Em todo lugar.
Não me importo. Se estivermos juntos, sei que podemos vencer qualquer desafio.

1 Confessaram:

| TaTa | disse...

Ual. Metáforas cotidianas, o encaixe perfeito da fantasia e a realidade...

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