quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Consequencia Duradoura

- Nos encontramos novamente, ser miserável.
- Agora me chama assim? “Ser miserável”.
- E não é? Eu deveria criar uma palavra pra te definir.
- Tanto carinho... Isso só pode significar uma coisa...
- Claro agora você vai dizer que ainda somos amigos.
- Somos. Você me considera mais do que antes, na verdade.
- Seu... Seu... Seu... Eu te odeio.
- Você sabe que isso não é verdade.
- Me deixou pra morrer lá, se lembra?
- Sim, e você não morreu.
- Graças a mim, e não a você.
- Eu temi minha vida, eu deixei você por que sabia de sua capacidade.
- Ah, claro. Então se salvou e me abandonou, por que sabia que eu iria vencer sem você.
- Isso. Simples assim. Ou morria você, ou morria eu. E aqui estamos os dois, vivos.
- Aí que você se engana.
- Como assim?
- Eu não estou mais vivo.
- Você passou por muitas coisas naquele lugar, mas isso não significa que você está morto.
- Você não entendeu.  Aqueles “caras” não eram normais.
- Admito que fossem um pouco acima da média. Ficaram vivos e fortes no meio daquele terror, mas...
- Cale-se, você não entende. Eu não sou mais humano.
- O que? Eu não entendo...
- Simples você já vai entender. Eles eram seres imortais.
- Ah! Agora você me diz que virou algo como um “vampiro”? Sei claro, acredito.
- Na verdade, “vampiros” não existem. Pelo menos, nunca topei com nenhum por aí. O que eu sou está muito acima disso.
- Ahan, eu estou ficando com medo.
- Deveria, eu não vim, aqui pra conversar.
- Vai me matar? Como? Já parou pra pensar que eu sou um mestre na arte da guerra? Além do mais, mesmo que você seja forte, eu sou perito em escapar...
- Disso eu tenho certeza, você já fugiu uma vez, me deixando lá, pra morrer.
- Isso mesmo. Não acredito em você. Você não me assusta.
- Sabe, isso é o que eu sempre odiei em você. Éramos como irmãos e você me deixou, sem hesitar.
- E faria novamente. Eu tenho família sabia? Eu tenho pessoas as quais eu amo. Pessoas que quero desfrutar das companhias. Já você. Não tem nada.
- Agora eu sou o errado? Não meu caro, hoje não.
- Olha, eu vou indo nessa, já me cansei desse seu blá blá blá.
- Eu vou falar e você vai escutar. Hoje, agora, você vai ouvir um pouco mais.
- Vai me fazer? Argh! O que é isso, me solte!
- Fuja agora, “ser miserável”.
- Você está muito forte, e rápido. Você não estava mentindo!
- Eu, diferente de você, jamais menti em toda minha existência. Continuarei assim. Cumprindo com minhas palavras.
- Não consigo respirar! Maldito! O que você é?
- Infelizmente, isso nem eu sei.
- E os caras daquela noite? Eles sabem?
- Bem, eles estão “mortos”. De verdade dessa vez. Eu os matei Assim que descobri o que fizeram comigo.
- Mas, você não pode me matar! Sabe que tenho família não é justo com eles!
- Agora, depois de tudo, você vem me falar de justiça? Cretino, você não muda.
- Por favor, não me mate! Eu suplico, faço qualquer coisa, eu tenho muito dinheiro, posso pagar!
- Poupe seus esforços. Seu dinheiro ou suas desculpas não tem valor pra mim.
- Então é assim? Agora você se vinga de mim. Vai me matar, e se sentirá menos inútil. Vá em frente.
- Você...
- Só se lembre que meus filhos ficaram sem um pai, minha esposa sem um marido...
- Eu não vou te matar.
- Jura? E por que isso? Você tem o queijo e a faca na mão.
- Nunca minto. E te matar seria fácil demais. Não teria a menor graça.
- Fico a entender, não era pra isso que veio até aqui, em meu refúgio?
- Eu nunca disse que ia te matar.
- O que então? Veio aqui para me passar sermões?
- Sim e não. Você vai sofrer pra sempre. Isso é o que merece.
- Meu caro amigo, eu não creio em céu ou inferno. Desista.
- O inferno é aqui e agora. Terás o mesmo destino que eu. Viverá para sempre, verá todos que ama morrerem aos seus pés, enquanto você continuará vivo.
- Não! Eu não suportaria isso!
- Tarde demais. Enquanto conversamos, eu já disparei o feitiço.
- Quer dizer que...
- Sim, você já é como eu.

1 Confessaram:

Anônimo disse...

Eu fiquei meio boba com esse texto. É intenso. E eu realmente gosto disso. Não sei adjetivos que chegam aos pés do que você escreve. É tudo maravilhoso demais, significativo demais. Mas eu queria deixar registrado o meu fascínio por isso. Você é ótimo com o que faz, Marcus.

(misplacedout)

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